A base governista do Rio Grande do Norte vive um momento de tensão provocado pelas negociações da chapa majoritária. O acordo que prevê Rafael Motta como candidato ao Senado e Jean Paul Prates como suplente gerou insatisfação entre aliados, que acusam o PDT de concentrar espaços demais. Outro ponto de divergência é a estratégia de lançar dois candidatos ao Senado, diante do receio de divisão de votos enquanto Zenaide Maia disputa sozinha no campo adversário. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o PT teme o fortalecimento político de Rafael Motta na disputa. Embora ainda não exista ruptura, dirigentes já enxergam sinais claros de divisão interna na aliança governista.
A crise na campanha de Flávio Bolsonaro aumentou a pressão sobre o senador Rogério Marinho, responsável pela coordenação política. Parlamentares do PL criticam a centralização das decisões e apontam interferências em áreas como marketing e jurídico. A estratégia adotada para conter os danos após o vazamento do áudio envolvendo Flávio teria sido conduzida diretamente por Rogério. O desgaste interno já alcança integrantes da cúpula do partido, incluindo Valdemar Costa Neto. Nos bastidores, cresce a avaliação de que o futuro de Rogério dependerá do sucesso ou fracasso da estratégia adotada.
O PSDB do Rio Grande do Norte afirmou que qualquer decisão sobre alianças políticas será tomada de forma coletiva. O partido negou que o deputado Taveira Júnior já tenha definido apoio a um candidato ao Governo do Estado. Lideranças como Ezequiel Ferreira, Cristiane Dantas e Fábio Dantas participam das articulações. A intenção da legenda é anunciar uma decisão conjunta e unificada para a disputa de 2026.
A senadora Zenaide Maia voltou a reafirmar publicamente seu apoio à reeleição de Lula, mesmo sendo filiada ao PSD, partido que deve ter candidatura própria. A parlamentar destacou que Gilberto Kassab já conhece sua posição. O texto também relembra episódios anteriores em que Zenaide precisou esclarecer seus votos e posicionamentos. A estratégia da senadora tem sido responder de forma direta e transparente às especulações políticas.
O PSDB ainda não definiu seu rumo nas eleições de 2026 no Rio Grande do Norte, mantendo conversas tanto com o grupo da governadora Fátima Bezerra quanto com o palanque de Álvaro Dias. A aproximação com o PL perdeu força após impasses nas negociações, especialmente em torno da composição da chapa e da relação com a futura mesa diretora da Assembleia. A postura de lideranças do PL é apontada como fator de desgaste nas tratativas. Em contrapartida, o governo estadual abriu espaço para composição com os tucanos. A decisão final do PSDB deve ser tomada em junho.
Os partidos que compõem a base de apoio do Governo do Estado oficializaram, em reunião realizada em Natal, a indicação de Rafael Motta para disputar o Senado ao lado de Samanda Alves. A decisão foi unânime e marcou o fortalecimento do chamado “time de Lula” no Rio Grande do Norte, expressão repetida pelas lideranças após o encontro. Larissa Rosado e Samanda Alves defenderam a escolha como natural e estratégica para consolidar o palanque governista. Ficou definido ainda que as vagas de suplência e a indicação para vice-governador continuarão em negociação. O grupo também mantém diálogo com PSDB, Rede e PSOL para ampliar a aliança de esquerda e centro-esquerda no estado.

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