Trump e a desconstrução do papel dos EUA como referência mundial

O blog Neto Queiroz tem priorizado pautas da política estadual. Eventualmente, escrevo sobre política nacional, mas hoje decidi tratar de política internacional. E falar de política internacional inevitavelmente nos leva à questão de Donald Trump.

Durante minha caminhada matinal, fiquei refletindo sobre Trump e resolvi compartilhar alguns pensamentos com os leitores do blog. Basicamente, quero destacar duas observações.

A primeira é que Trump está desconstruindo, em ritmo acelerado, um papel que os Estados Unidos levaram décadas para consolidar: o de referência mundial, liderança do Ocidente e norte para o restante do planeta. Para se ter uma ideia, quando os EUA alegaram que o Iraque possuía armas de destruição em massa, o mundo acreditou e marchou junto na guerra — Inglaterra, França, Alemanha e outros países. Mesmo quando se revelou mentira, ninguém contestou, pois os EUA eram a referência.

Hoje, Trump mina esse legado. A estabilidade do dólar, a força da economia, a segurança jurídica e a credibilidade internacional dão lugar à incerteza, à instabilidade e à desconfiança. Nem mesmo aliados confiam, já que Trump representa um permanente estado de ebulição.

A segunda observação é sobre o porvir. Embora Trump diga que não pretende buscar um terceiro mandato, tenho sérias dúvidas. Pela Constituição, ninguém pode ser presidente dos EUA por mais de dois mandatos. Mas, conhecendo sua índole, não acredito que ele aceite simplesmente entregar o poder e se retirar.

Quando perdeu a reeleição, Trump incentivou a invasão do Capitólio, pressionou o vice-presidente a não reconhecer a vitória de Biden, gritou fraude e, até hoje, sustenta que a eleição foi roubada. Pessoas com esse perfil não entregam o poder de forma tranquila. O exemplo brasileiro de Bolsonaro está aí para provar: criam narrativas de fraude, buscam vilões e tentam permanecer a todo custo.

Por isso, duvido que Trump, ao fim de um eventual segundo mandato, aceite se retirar de cena. No mínimo, tentará explorar brechas na lei para concorrer novamente — e de novo, e de novo. É esperar para ver.

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