MINHA OPINIÃO: Fátima desistirá do Senado se Waltinho confirmar que não assumirá o Governo?

Nesta sequência de análises em que apresento minhas opiniões sobre os possíveis desfechos das indefinições políticas no Rio Grande do Norte para 2026, trato agora da situação da governadora Fátima Bezerra.

OS FATOS:

Fátima Bezerra tem uma decisão tomada: renunciará ao Governo do Estado em abril para disputar uma vaga no Senado. Ela já afirmou, inclusive, que essa escolha atende a um pedido do PT nacional e do presidente Lula, e que se trata de uma decisão irreversível.

No entanto, a definição do vice-governador Walter Alves de não assumir o Governo e de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa faz com que a governadora seja obrigada a reavaliar seus planos.

Embora esteja sendo dito que, mesmo sem Walter assumir, a renúncia ocorrerá por força do projeto nacional, a situação não é tão simples. A decisão do vice coloca em xeque não apenas a candidatura de Fátima ao Senado, mas toda a estratégia do PT no Estado, incluindo a formação das nominatas federal e estadual.

Com a renúncia de Fátima e a recusa do vice em assumir, o Rio Grande do Norte passaria por uma eleição indireta para um mandato tampão de aproximadamente nove meses. O risco de a oposição conquistar o comando do Governo é alto, o que seria extremamente prejudicial aos planos do PT.

Com um adversário ocupando a cadeira de governador, é provável que haja ampla exposição de informações internas da gestão petista, gerando desgaste em toda a cadeia de candidaturas do partido. Denúncias, vazamentos de dados e acusações podem criar um cenário de forte desgaste político, obrigando o PT a fazer uma campanha defensiva, permanentemente reagindo a ataques.

A única alternativa para o PT manter a renúncia de Fátima está diretamente ligada à possibilidade de eleger um aliado para o mandato tampão. É nesse ponto que a manutenção da aliança com o MDB se torna fundamental. O MDB — leia-se Ezequiel Ferreira — somado aos votos da esquerda, garantiria a vitória na eleição indireta e viabilizaria a saída de Fátima do Governo. Caso esse plano não se concretize, a governadora terá de reconsiderar a renúncia e permanecer no cargo para sustentar a estratégia petista nas eleições estaduais.

MINHA OPINIÃO:

Trata-se de uma equação de desfecho ainda incerto. Todos os caminhos apresentam riscos, mas acredito que PT e MDB chegarão a um acordo tanto para a eleição indireta quanto para a escolha de um aliado que assuma o mandato tampão. Assim, entendo que Fátima Bezerra renunciará, será candidata ao Senado e o PT manterá, com apoio do MDB, o controle político do Governo durante o período de transição.

Também acredito que se o acordo PT e MDB, para não perder o governo, não se viabilizar, Fátima terá que repensar sua renúncia e vai permanecer até o fim do mandato.

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