MINHA OPINIÃO: o que vai acontecer com Allyson Bezerra após a operação policial em sua casa

O que eu acho sobre o que vai acontecer com Allyson Bezerra após a operação da Polícia Federal em sua residência? Vamos analisar os fatos.

Como tenho dito, a questão jurídica deve se arrastar por meses, provavelmente por anos. Não acredito que haja qualquer obstáculo para o prefeito registrar sua candidatura, até porque a Lei da Ficha Limpa impõe impedimento apenas para quem possui condenação em segunda instância, e a ação contra Allyson ainda está em fase inicial de investigação.

Não se deve esquecer que há a questão do segredo de justiça no processo e não haverá fatos novos a serem explorados, nem pela oposição, nem pela mídia. É possível que o sigilo caia completamente; nesse caso, todo novo documento anexado ao processo passará a ser de conhecimento público, especialmente as perícias realizadas nos telefones celulares apreendidos. Assim como o conteúdo dos depoimentos.

Minha opinião é que, à medida que a temperatura do caso vá baixando, haverá uma disputa de informações e narrativas. Allyson tendo que ser firme em sua defesa e a oposição em seus calcanhares. E, nesse campo, convenhamos, Allyson tem levado vantagem sobre os adversários. Ele é muito eficiente na comunicação via redes sociais, e essa será uma ferramenta importante na chamada guerra de informações.

Do ponto de vista da investigação, o que se conhece até agora sobre o que consta no inquérito indica que o ponto mais sensível é a interceptação telefônica em que dois sócios de uma empresa falam sobre uma suposta propina de 15% que estaria destinada a Allyson, em um pagamento de 400 mil reais. Isso é algo relevante, até mesmo porque está muito claro lá que 60 mil reais estariam destinados ao prefeito. E a PF encontrou dinheiro vivo na casa dos investigados. A imagem do dinheiro no isopor é muito forte e viva.

Do ponto de vista da defesa do prefeito, será bastante explorado o fato de não existir áudio com Allyson, nem vídeo ou documento que o incrimine diretamente. A acusação se baseia em escuta de terceiros, o que é um detalhe relevante na estratégia defensiva. Porém, a oposição vai contra atacar com o volume de dinheiro que a Prefeitura contratou com a Dismed.

Meu entendimento é que os eventos de 27 de janeiro terão ampla exploração política, serão utilizados de forma intensa pelos adversários do prefeito e, de certa forma, vão dificultar o discurso de honestidade de Allyson que normalmente marca as campanhas eleitorais. Os debates serão o ponto alto deste acusa/defende.

Ainda assim, na questão eleitoral, prevejo que Allyson terá caminhos para atenuar os danos e permanecer competitivo na disputa pelo Governo do Estado, justamente pela sua vantagem nas redes sociais. Salvo, evidente, se fatos novos vierem a tona.

O mais importante agora será observar, nas pesquisas, os efeitos desse episódio junto ao eleitorado e à opinião pública. Vale lembrar que ainda faltam oito meses para o pleito e, em política, a memória costuma ser curta.

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