A governadora Fátima Bezerra tem tratado como prioridade absoluta a questão da eleição indireta no Estado. Enquanto os holofotes estavam voltados para Allyson Bezerra e a operação da Polícia Federal, ela avançou nas articulações em torno do tema. O PT quer sair na frente.
O partido já trabalha para alcançar os 13 votos necessários à eleição do sucessor de Fátima para o mandato tampão, criando o ambiente político para que a governadora possa deixar o cargo e disputar o Senado. Na largada, a sigla contabiliza oito votos e precisa buscar mais cinco.
A estratégia está centrada nos deputados estaduais que vêm se alinhando ao prefeito de Mossoró. Usando o argumento de que a eleição indireta de abril não se confunde com a disputa eleitoral de outubro, o governismo tenta convencer parlamentares que já integraram ou flutuaram pela base do governo.
O cálculo feito na Governadoria é que esses deputados, que se alinharam ao Executivo em votações decisivas — como a aprovação do ICMS de 20% e a eleição de George Soares para o Tribunal de Contas — teriam enorme dificuldade de migrar agora para a direita bolsonarista. Além disso, não enxergam no campo de centro uma articulação capaz de gerar expectativa real de vitória na eleição de abril.
Outro argumento utilizado pelo governo é que cada deputado deve olhar para sua própria reeleição em outubro. Com a permanência do PT no comando do Executivo, haveria garantias de ocupação de espaços e acesso à estrutura administrativa.
O PT também pretende procurar Ezequiel Ferreira para conversar. O governo sabe do interesse de Ezequiel em assumir o Executivo de forma provisória e conduzir a eleição indireta sem comprometer sua elegibilidade. Para isso, a proposta governista seria a antecipação da renúncia de Fátima, permitindo que Ezequiel assumisse antes do prazo de seis meses vedado pela legislação eleitoral.
A prioridade dada pelo PT à eleição do mandato tampão é diretamente proporcional ao interesse em viabilizar a candidatura de Fátima ao Senado sem o risco de perder o controle da caneta. Essa preocupação supera, inclusive, o temor da direita e do centro de assumir o governo e atravessar o processo eleitoral tendo que lidar com atrasos no pagamento de servidores e fornecedores.
Indo com mais sede ao pote do que os demais, o governo avalia que está em vantagem e já faz contas otimistas de que conseguirá atingir seu objetivo.





