Enquanto Rogério parece exilado em Brasília, Fátima avança e assume as rédeas da articulação do PT

Há um contraste bastante visível na política do Rio Grande do Norte que revela dois agrupamentos vivendo momentos bem distintos. São justamente os dois grupos que, em tese, monopolizam o debate político neste momento, em razão da polarização que tomou conta do país.

O contraste entre direita e esquerda no RN pode ser percebido pelos olhares mais atentos. PT e PL atravessam fases diferentes: um avança, o outro recua.

Explico melhor.

No dia 20 de janeiro, o senador Rogério Marinho anunciou sua desistência de disputar o Governo do Estado. Desde então, praticamente desapareceu da cena política local. Investido em sua missão maior, no cenário nacional, Rogério deixou de ser presença nos eventos políticos do RN e voltou completamente seu foco para Brasília.

Uma prova disso veio no noticiário que se seguiu à desistência. Os cerca de 80 prefeitos que o acompanhariam deixaram claro que o apoio a Álvaro não seria automático. Pré-candidatos que haviam alinhado seus projetos políticos com Rogério passaram a demonstrar insegurança. Até mesmo o anúncio do vice de Álvaro foi feito de um escritório — em Brasília.

Na outra ponta, o PT saiu da defensiva. A governadora Fátima Bezerra assumiu as rédeas da articulação política do seu grupo. Reuniu-se com a imprensa em um café da manhã, percorreu o Estado, concedeu entrevistas, chamou aliados para conversas e anunciou que ela própria coordenaria o plano para a eleição do mandato-tampão.

Fátima não é iniciante. É preciso reconhecer seu histórico: foi deputada federal mais votada por duas vezes, senadora e eleita e reeleita governadora. Está claro que permanece politicamente ativa — talvez mais do que nunca.

Este comparativo não tem o objetivo de apontar quem é melhor ou pior. A intenção é analisar o momento político vivido pelos dois lados da polarização no RN, que atravessam fases distintas.

Não se pode ignorar que a ausência de Rogério fragiliza o grupo que ele organizou. Há pré-candidatos que se sentem sem rumo. Daniel Marinho, ex-prefeito de Nísia Floresta e filiado ao PL, por exemplo, desistiu de disputar vaga na Câmara Federal após a saída de Rogério da corrida pelo Governo.

Ao comparar os dois grupos, é evidente que um está mais em evidência do que o outro. Rogério está há mais de um mês fora do radar político estadual, enquanto Fátima percorre o RN. Um concentra forças em Brasília; a outra mantém foco total no Estado. Neste momento, é ou não é uma diferença relevante?

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