Allyson acerta na estratégia, mas assume risco político na reta final das filiações

O pré-candidato a governador pelo União Brasil, Allyson Bezerra, fez dois movimentos certeiros na fase final da janela de filiações partidárias, mas também assumiu um problema cuja fatura poderá ser cobrada mais adiante.

Os acertos foram a manutenção do ex-deputado Kelps Lima no União Brasil e a conquista do controle estadual do Republicanos. De um lado, garantiu Kelps e fortaleceu a nominata da federação União Progressista (União Brasil/PP); de outro, trouxe um partido de grande porte, com tempo de TV e bom fundo partidário.

O problema está no preço que aceitou pagar para ter o Republicanos. Seguindo a lógica de que os fins justificam os meios, Allyson firmou uma aliança com Abraão Lincoln e dividiu com ele o comando estadual da sigla. Abraão está diretamente envolvido nas investigações sobre desvios no INSS e chegou a ser preso após prestar depoimento na CPMI do INSS.

O acordo garantiu que o filho de Abraão Lincoln fosse mantido como vice-presidente estadual do partido e, em contrapartida, todo o grupo liderado por ele apoiaria o nome de Cinthia Pinheiro, esposa de Allyson, para deputada estadual.

Essa fatura pode sair cara para o ex-prefeito de Mossoró. Isso porque já é dado como certo que ele será alvo de fortes ataques durante a campanha, especialmente por estar sendo investigado em inquérito que apura desvios de recursos da saúde por meio de licitações fraudulentas. Os adversários não devem aliviar e tendem a intensificar a pressão.

Ao se aliar a um dos envolvidos em escândalos dessa magnitude, Allyson oferece munição aos adversários. A cobrança virá e, a depender dos desdobramentos do inquérito envolvendo a Dismed, em Mossoró, sua defesa pode se tornar mais complexa do que parece.

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