A filiação de Rafael Motta ao PDT cria um novo cenário na disputa pelo Senado. Embora ele ainda não tenha anunciado se será candidato ao Senado ou a deputado federal, a escolha do PDT só se justifica se o horizonte considerado for a disputa senatorial.
A chegada de Rafael ao PDT também resolve outro impasse. Quando Jean Paul Prates se filiou ao partido e assumiu, junto à direção nacional, a articulação em torno do Senado, seu objetivo não era ser o segundo nome em uma eventual dobradinha com Fátima Bezerra. Seu plano era ocupar a primeira suplência de Fátima Bezerra ao Senado.
A estratégia de Jean Paul e do PDT era clara: a suplência representaria um caminho viável para o mandato, considerando a possibilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que poderia levar Fátima a um ministério e, consequentemente, abrir espaço para o suplente assumir.
O plano, no entanto, foi frustrado com a desistência de Fátima. Com isso, Jean perdeu o entusiasmo pelo projeto ao Senado. É nesse contexto que Rafael Motta surge como uma solução que agrada a diferentes atores políticos. Com a eventual candidatura de Rafael, Jean Paul cumpre o compromisso assumido com o próprio PDT de apresentar um nome competitivo ao Senado.
Para Rafael, o movimento também é estratégico. Considerando que ele não teve tempo suficiente para se articular em uma disputa proporcional, a candidatura ao Senado oferece visibilidade e a possibilidade de manter seu capital eleitoral ativo.
Rafael e Jean também apostam em outra variável que interessa ao PT: a possibilidade de que Rafael se apresente como uma alternativa mais viável ao eleitorado de Fátima, evitando que esses votos migrem para Zenaide Maia, o que poderia fortalecer ainda mais a senadora e dificultar a competitividade de um nome do palanque governista.
Por ora, os movimentos seguem sendo desenhados com base nas pesquisas. O PT observou o desempenho de Samanda Alves nas últimas sondagens, com posição desfavorável, ao mesmo tempo em que identificou uma migração significativa do eleitorado de Fátima para Zenaide. O risco é que esse movimento se consolide também na disputa pelo Governo.
Diante desse cenário, a alternativa Rafael Motta como segundo nomes ao Senado, pelo PDT, passa a ser vista com bons olhos dentro do grupo governista.




