A chegada de última hora de Rafael Motta ao PDT para disputar o Senado, no meu entendimento, é o fato político que mais pode mexer com as expectativas de votos nas chapas majoritárias.
Penso que Rafael tem potencial para disputar diretamente a segunda vaga ao Senado com a senadora Zenaide Maia.
É preciso lembrar com exatidão que Rafael disputou o Senado em 2022 e teve 385 mil votos, o equivalente a 22,8% dos votos válidos. E isso em um contexto no qual se tornou órfão de palanque majoritário, fazendo uma campanha à margem, enquanto a esquerda fechou apoio a Carlos Eduardo Alves, que obteve 565 mil votos.
Não tenho dúvida de que, se Rafael fosse o candidato com apoio do PT em 2022, hoje seria senador da República.
E o que acontece agora com Rafael? Primeiro, é preciso olhar o contexto. O PT perdeu sua candidata de referência ao Senado, que era a governadora Fátima Bezerra, e indicou Samanda Alves como substituta.
As primeiras pesquisas mostraram Samanda atrás de Coronel Hélio, o segundo nome ao Senado na chapa liberal. Quase 80% dos votos que antes eram de Fátima migraram para Zenaide, que praticamente dobrou sua margem de intenções de voto.
Pode-se argumentar que é preciso tempo para trabalhar o nome de Samanda. Isso é correto. No entanto, não se pode esquecer que ela não é um nome desconhecido: é vereadora em Natal, preside o PT e disputou uma vaga para deputada federal em 2022.
A baixa migração de votos de Fátima para Samanda não é apenas resultado do desconhecimento. Pode ser também reflexo de um sentimento do eleitor de esquerda, que ficou frustrado com a falta de aparente competitividade do nome apresentado.
Diante dessa realidade, surge o nome de Rafael, que, ao meu ver, tem boa aceitação entre eleitores de perfil progressista, mais à esquerda. Prova disso são os 385 mil votos obtidos em 2022.
Nenhuma pesquisa testou ainda o nome de Rafael para o Senado, mas essas sondagens devem surgir nas próximas rodadas. Caso ele apareça em um patamar bem superior ao de Samanda, isso pode levar o eleitor a enxergar uma disputa mais competitiva.
Para mim, já é certo que Rafael será o candidato ao Senado pelo PDT. Jean Paul Prates não demonstra interesse em concorrer. A dobradinha Samanda e Rafael também parece encaminhada.
A dúvida que permanece é: caso Rafael se mostre mais competitivo, que tipo de reação isso provocará na cúpula petista? Haverá apoio ao nome mais forte ou o cenário caminhará para uma disputa interna?





