Cadu Xavier e Álvaro Dias sustentam, em praticamente todos os seus discursos, que a eleição será polarizada. Na visão deles, ao final do processo, os polos — esquerda x direita, conservadores x progressistas, bolsonaristas x lulistas — estarão no segundo turno, justamente pela força dessa polarização. Em outras palavras, ambos se colocam como herdeiros naturais desse voto polarizado.
Nessa lógica, Allyson Bezerra, que atualmente lidera a maioria das pesquisas divulgadas, ficaria de fora do segundo turno, sendo engolido pela polarização e perdendo protagonismo diante dos candidatos identificados com os dois polos.
É nesse ponto que surge uma questão estratégica central: se Allyson tende a perder espaço pela polarização, qual deve ser a postura dos adversários? Bater ou ignorar? Desconstruir ou deixá-lo fora do debate?
Se Cadu e Álvaro optarem por atacar Allyson, inevitavelmente o trarão para o centro do debate, elevando-o à condição de protagonista — o que contraria a própria lógica da polarização que defendem.
Por outro lado, se decidirem ignorá-lo, numa estratégia de retirá-lo dos holofotes, Allyson tende a ficar sem enfrentamento direto. Isso lhe daria espaço para construir sua narrativa sem contestação, ainda mais considerando que deve contar com amplo tempo de rádio e televisão.
Eis o dilema dos estrategistas: entre os custos e benefícios, qual caminho seguir? Existe um meio-termo possível, que permita desconstruir sem projetar ainda mais o adversário?
Caso a escolha seja ignorar o ex-prefeito de Mossoró, sua imagem pode passar sem questionamentos relevantes. Temas sensíveis, como investigações, fragilidades administrativas ou alianças políticas, podem deixar de ser explorados no debate público.
Como se observa, não se trata de uma decisão simples. A estratégia adotada pode redefinir o protagonismo da disputa e influenciar diretamente o rumo da campanha.





