Esta semana, em duas oportunidades no programa Política Sem Filtro, da Rádio Difusora, abordei um fato que vinha chamando minha atenção: a argumentação rasa e superficial com que o pré-candidato Álvaro Dias tem se pronunciado sobre os temas a respeito dos quais é questionado.
Levantei dúvidas sobre o desempenho de Álvaro em futuros debates da campanha, justamente pela fragilidade de seus argumentos, marcados pelo excesso de frases feitas e jargões, sem apresentar uma capacidade de aprofundar os assuntos abordados.
Usei como exemplo uma fala de Álvaro no programa político do PL, em que criticou a segurança pública no Rio Grande do Norte sem apresentar um único dado concreto, limitando-se ao já conhecido discurso de que “a violência aumentou e precisamos resolver o problema da segurança”.
Neste sábado pela manhã, ao visitar as redes sociais de Álvaro, assisti à resposta dada por ele a um repórter sobre a jornada de trabalho 6×1. Fiquei curioso, afinal era um tema que exigia ao menos algum nível de argumentação. A resposta foi basicamente a seguinte: “Nesse assunto vamos acompanhar o que pensa o senador Rogério Marinho e apoiar o que ele defender”. Ou seja, Álvaro resumiu sua posição a seguir o entendimento de Rogério.
Quando eu já começava a consolidar a impressão de que Álvaro apresenta sérias dificuldades argumentativas, surgiu mais um episódio. Durante uma programação realizada na manhã deste sábado em Mossoró, ele foi questionado sobre temas como a privatização da UERN. Na resposta, voltou a demonstrar fragilidade ao afirmar que discutiria com sua equipe a possibilidade de privatização ou federalização da universidade e que atribuiria à vice-prefeita de Natal, Joana Guerra, a missão de conduzir esse debate.
Mais do que uma deficiência argumentativa, a declaração revelou desconhecimento sobre a importância da UERN. Nem é necessário aprofundar aqui os equívocos da fala, até porque certamente o tema deverá render muitas análises e repercussões nos próximos dias.
Toda vez que escuto Álvaro comentar algum tema, lembro da estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2018, quando escolheu um “Posto Ipiranga” para responder às perguntas sobre economia e sobre os rumos do futuro governo.
A pergunta que fica é: quem será o “Posto Ipiranga” de Álvaro?
Chama atenção a superficialidade de suas respostas sobre temas relevantes do Rio Grande do Norte. Quando questionado sobre obras inacabadas de sua gestão, por exemplo, não conseguiu apresentar números de investimentos nem detalhar os objetivos das intervenções. Acabou se perdendo na resposta.
Ao ser questionado sobre a engorda de Ponta Negra, reagiu acusando o repórter de fazer “perguntas de petistas”. Quando tentou criticar o governo estadual na área da segurança pública, novamente não apresentou nenhum dado estatístico que sustentasse a crítica.
Fica evidente que Álvaro Dias precisará de uma estrutura técnica mais sólida para embasar suas posições. Talvez não exatamente um “Paulo Guedes” para a economia, mas ao menos uma equipe capaz de fornecer informações, dados e argumentos que o ajudem a escapar de respostas óbvias e superficiais.
A crítica, neste momento, pode ser importante para que o pré-candidato corrija rapidamente uma fragilidade que começa a ficar cada vez mais evidente. O debate político exige algum nível de profundidade — não necessariamente uma avalanche de estatísticas e planilhas, mas argumentos minimamente consistentes para sustentar ideias e propostas.
Álvaro foi deputado, gestor público e é médico. O mínimo que se espera é uma evolução no conteúdo de suas falas. Caso contrário, corre o risco de consolidar a imagem de alguém que ainda não sabe exatamente o que pretende fazer caso venha a governar o Rio Grande do Norte. Se esse for o cenário, talvez precise definir logo quem será o seu “Posto Ipiranga”.





