Sem querer cansar o leitor do blog com o mesmo assunto, considero relevante aprofundar ainda mais a análise da pesquisa Metadata/FM 98. Vamos continuar observando a transferência de votos.
Alysson Bezerra é o candidato da terceira via — ou de centro, como preferem alguns — e justamente aí estão seu maior trunfo e sua maior fragilidade. Explico o porquê.
Como candidato de centro, Alysson tenta avançar sobre três fatias do eleitorado: o centro, a direita e a esquerda. É dessa combinação que ele espera construir sua vitória.
E os números mostram que ele está no caminho certo. Entre os eleitores de direita, 36,6% dos que votam em Flávio Bolsonaro no RN também declaram voto nele. Já na esquerda, Alysson aparece com 38,9% entre os eleitores de Lula. Ou seja, o dever de casa está sendo bem executado, e isso ajuda a explicar sua liderança nas pesquisas.
No entanto, bastam dois movimentos para que essa força se transforme em vulnerabilidade: Cadu Xavier avançar entre os eleitores de Lula e Álvaro Dias consolidar os votos da direita ligados a Flávio Bolsonaro.
Não parece algo impossível. Há uma tendência natural para que isso aconteça à medida que o eleitor identifique de forma mais clara a conexão entre o voto para presidente e o voto para governador, além do próprio movimento de polarização que costuma marcar as disputas eleitorais.
Na medida em que Cadu conquiste mais votos lulistas e Álvaro amplie sua presença entre os bolsonaristas, a candidatura de centro tende a perder espaço. É uma lógica matemática simples.
O que quero dizer com essa argumentação é que existe uma tendência de Alysson perder parte dos votos que hoje possui tanto na direita quanto na esquerda, caso os candidatos desses campos se fortaleçam. Parece uma questão lógica — embora, em eleições, nem sempre a lógica prevaleça.





