Enquanto Álvaro Dias e Cadu Xavier apostam na polarização e tentam capitalizar eleitoralmente a divisão do eleitorado brasileiro entre petistas e bolsonaristas, conservadores e progressistas, esquerda e direita — podem estar cometendo um erro estratégico ao subestimar o pré-candidato Alysson Bezerra, que hoje ocupa um espaço de uma terceira via.
Explico.
Está evidente que a estratégia de Álvaro e Cadu passa pela polarização direta. Ambos parecem empenhados em inflar suas respectivas torcidas e alimentar no eleitor a percepção de que o adversário representa um risco maior. O foco de um está voltado para o outro. E justamente aí pode residir o principal equívoco: ao concentrarem fogo exclusivamente entre si, acabam permitindo que Alysson Bezerra transite livremente pelo debate público, praticamente sem ser confrontado.
Enquanto os dois polos se atacam, Alysson ganha espaço para vender sua imagem, consolidar discurso e ampliar sua presença eleitoral sem enfrentar questionamentos mais incisivos sobre sua trajetória administrativa, suas contradições, suas posições políticas ou mesmo sobre o que fez, deixou de fazer, disse ou evitou dizer.
Os números da pesquisa do Instituto Metadata, divulgada na semana passada, ajudam a entender esse cenário. O levantamento mostra que 39% dos eleitores de Lula no Rio Grande do Norte também declaram voto em Alysson. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice é igualmente expressivo: 36% também acompanham o ex-prefeito de Mossoró.
Os dados revelam algo importante: enquanto PT e PL tentam reproduzir no estado a polarização nacional, Alysson avança justamente sobre parcelas do eleitorado que, em tese, deveriam estar mais alinhadas aos candidatos dos respectivos campos ideológicos. Ou seja, o problema talvez não esteja no adversário do outro lado, mas na perda silenciosa de votos dentro da própria base política.
Se a estratégia de Álvaro e Cadu é manter Alysson fora do centro do ringue, deixando-o à margem da disputa principal, talvez estejam ignorando o fato de que uma fatia considerável de seus potenciais eleitores já está “casando” o voto em Lula ou em Bolsonaro com o voto em Alysson.
Diante disso, surge uma questão estratégica fundamental: o que é mais eficiente eleitoralmente? Tentar conquistar o eleitor de centro, tradicionalmente mais volátil, desconfiado e menos fidelizado, ou concentrar esforços sobre o eleitor do próprio campo político que ainda não rejeita nem Álvaro nem Cadu, mas que já demonstra simpatia por Alysson?
Para disputar o eleitor de centro, o caminho costuma ser a polarização pelo medo: reforçar a rejeição ao adversário e apresentar o outro polo como ameaça. Já para recuperar o eleitor do próprio campo político, a lógica seria outra: enfrentar diretamente quem está drenando votos internamente. E, neste caso, esse personagem parece ser Alysson Bezerra.
Afinal, o que tende a ser mais fácil: convencer o eleitor que já votará no presidenciável que seu grupo representa no estado ou tentar seduzir um eleitor moderado, menos ideológico e mais resistente à radicalização?
Talvez Álvaro e Cadu estejam subestimando justamente esse movimento silencioso. Enquanto Alysson segue sem contraponto direto, ocupa espaços tanto na esquerda quanto na direita e amplia sua presença eleitoral sem grandes desgastes.
Enquanto PT e PL se digladiam, a banda de Alysson toca — e segue passando praticamente incólume, vendendo seu peixe e ocupando terreno nos dois lados da disputa.





