100 DIAS PARA A ELEIÇÃO: A candidatura de Cadu depende de Lula, mas isso pode não ser suficiente

Faltam 100 dias para a eleição. Vamos analisar como chega Cadu Xavier nesta altura da disputa em sua pré-candidatura ao Governo do Estado pelo PT.

Quando se olha para Cadu, a primeira pergunta que surge é: quando o “Cadu de Lula” vai finalmente vingar?

Desde que teve seu nome lançado, em março do ano passado, a principal aposta do PT sempre foi essa: transformar Cadu no candidato de Lula no Rio Grande do Norte. Olhando para sua pré-campanha hoje, não se pode dizer que não houve avanços. Houve. Mas o desempenho está bem abaixo do que esperavam os mais otimistas.

Isso, porém, não significa que o potencial do “Cadu de Lula” tenha se esgotado. Ainda não. E por que digo isso? Basta imaginar duas pesquisas realizadas hoje. Em uma delas, a opção de voto seria apenas “Cadu Xavier”. Na outra, apareceria “Cadu Xavier, apoiado por Lula”. É bastante provável que os resultados fossem diferentes. Ou seja, esse potencial continua existindo, embora sua concretização esteja demorando mais do que o esperado.

O grande problema que vejo é que tanto Cadu quanto o PT resolveram construir essa candidatura apoiados praticamente em um único pilar: fazer de Cadu o candidato de Lula. Nenhum prédio se sustenta sobre uma única pilastra.

Falta surgir um segundo Cadu: justamente o Cadu que é Cadu. Quem é ele? Qual é sua história? O que pensa? Quais são suas convicções? Hoje, Cadu ainda é uma tela pendurada na parede, mas com poucos traços definidos. O eleitor olha e ainda não consegue enxergar claramente quem está diante dele.

Como tenho dito, o eleitor escolhe seu voto principalmente pela emoção e pela confiança. Para isso, é imprescindível que exista um Cadu com identidade própria, capaz de preencher essas duas lacunas.

É possível que, no calor da campanha, durante agosto e setembro, com bandeiras nas ruas, debates e a emoção típica da disputa eleitoral, o “Cadu de Lula” finalmente decole. A grande missão do PT é transferir para Cadu pelo menos metade do eleitorado lulista. Se conseguir, poderá colocá-lo no segundo turno.

Sua maior fragilidade continua sendo a elevada desaprovação do governo Fátima Bezerra. Defender um governo mal avaliado nunca é uma tarefa simples, mas faz parte de sua missão política.

Tenho para mim que o desempenho de Cadu nas urnas, no dia 4 de outubro, dependerá muito do humor do eleitor em relação aos governos Lula e Fátima. Se esse ambiente lhe for favorável, Cadu poderá crescer. Mas, ainda assim, continuará existindo uma pergunta que precisará ser respondida durante a campanha: afinal, quem é Cadu Xavier?

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