Faltando 100 dias para a eleição, assim como fiz com os candidatos ao Governo do Estado, vamos fazer uma avaliação rápida sobre a disputa ao Senado — o que cada pré-candidato construiu até aqui e com qual estatura os cinco nomes mais fortes chegam a esta fase.
Antes disso, registro que não acredito em movimentos bruscos nos números aimnda durante a pré-campanha. Penso que este é o tamanho de cada um e é com esse tamanho que darão a largada em agosto. Como todos são competitivos, é possível afirmar que as duas vagas seguem em aberto, com o jogo ainda por decidir.
STYVENSON VALENTIM
Liderar as pesquisas por um ano inteiro, sempre com boa margem, é uma conquista expressiva. Styvenson é o grande favorito. Aposta mais uma vez no perfil de outsider — o candidato antissistema, que se apresenta como diferente e virtuoso em relação aos demais. Sua estratégia é clara: não se misturar, não se contaminar.
Só não afirmo que Styvenson já está eleito porque as pesquisas mostram uma queda consistente, em graus variados, na maioria das sondagens. Parece um dado real para este momento. Tenho dúvidas sobre como ele se comportará no calor da campanha. Por isso, sustento que é favorito, mas não que a vaga já está garantida.
ZENAIDE MAIA
Ao comparar dois momentos distintos da pré-campanha, fica clara a progressão de Zenaide. Em março de 2026, ela disputava palmo a palmo o segundo lugar com Fátima Bezerra. Hoje, a maioria das pesquisas a aponta com vantagem confortável nessa posição.
Não é uma garantia de eleição, mas representa um avanço significativo. Zenaide cresceu nos últimos quatro meses. O desafio agora é manter esse espaço, com Samanda e Rafael pressionando por baixo — o que exige planejamento cuidadoso para a fase final da campanha.
RAFAEL MOTTA
Quando entrou na disputa em maio passado, Rafael Motta ativou rapidamente um capital eleitoral acumulado: os votos da campanha ao Senado em 2022, a disputa em Natal em 2024 e a imagem política construída ao longo de seus mandatos. Foi uma largada em alto nível.
O desafio, a partir de agora, é manter e ampliar esse espaço. A dobradinha no campo progressista com Samanda Alves é o principal trunfo dos dois: a ideia é concentrar o segundo voto e evitar que migre para concorrentes diretos. O problema é a resistência interna no PT, que enxerga Rafael como concorrente, e não como aliado. Essa tensão reduz o potencial real da dobradinha.
SAMANDA ALVES
Ser escolhida como sucessora de Fátima Bezerra na disputa pelo Senado foi o maior trunfo de Samanda — e, ao mesmo tempo, seu principal desafio. Trunfo porque entrou na corrida com a perspectiva de herdar um manancial de votos da governadora. Desafio porque foi cobrada de imediato sobre esse potencial, e os números iniciais das pesquisas revelaram que a transferência de votos é um processo lento.
Samanda tem se esforçado para percorrer o caminho que seus concorrentes percorreram antes dela. Aos poucos, a estrutura do PT e o empenho de Fátima Bezerra começam a produzir resultados. É muito provável que um crescimento mais visível nas pesquisas seja consequência desse trabalho intenso. Ela é candidata forte e competitiva, e tem na dobradinha com Rafael Motta um trunfo real.
CORONEL HÉLIO
A trajetória de Coronel Hélio até se firmar como candidato do PL ao Senado não foi simples. Ele soube aguardar o momento certo e acabou sendo ungido pelo partido. Com forte identidade bolsonarista, aposta nesse eleitorado como base de sustentação — mas sabe que precisará ir além da bolha para ser competitivo.
Sua grande aposta é construir uma dobradinha próxima com Styvenson, na expectativa de absorver parte do capital eleitoral do líder nas pesquisas. Até agora, porém, o esforço não deu resultado: Styvenson não quer se misturar e rejeita qualquer associação com o bolsonarismo em sua campanha. Isso amplia as dificuldades do Coronel — mas sua posição nas pesquisas indica que ele está no páreo.





