O candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), ao acionar a Justiça Eleitoral para impedir que o jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina, continuasse impulsionando conteúdos relacionados à operação da Polícia Federal que realizou buscas e apreensões em sua casa e, também, para impedir que o blog continuasse produzindo conteúdos sobre o tema, acabou expondo o incômodo que a investigação parece provocar no candidato.
É evidente que Allyson e seu marketing calcularam o custo e o benefício da ação na Justiça na tentativa de calar o jornalista. O benefício seria impedir que o jornalista mais bem informado sobre o tema pudesse apresentar novos conteúdos ou mesmo repercutir os atuais, silenciando, assim, uma das principais fontes da mídia estadual a respeito do assunto.
O custo dessa ação na Justiça, seria emitir sinais claros do quanto a Operação Mederi é custosa para ele e sua campanha e do quanto os fatos o atingem. Enquanto diz em todo canto que é normal que os órgãos de controle investiguem agentes públicos, Allyson demonstra, com a iniciativa judicial, o quanto o incomoda a repercussão da Polícia Federal em sua porta.
O que fica ainda mais claro nisso tudo é a contradição entre o discurso de Allyson Bezerra e sua atitude. O prefeito adota o discurso do “novo” na política, daquele que teria atitudes e pensamentos diferentes dos representantes da velha política, mas recorre aos mesmos instrumentos e práticas tantas vezes associados ao modelo que afirma combater no passado.
A ação contra Dinarte Assunção não visou unicamente impedir a divulgação de notícias sobre a Operação Méderi que desagradam ao candidato. O objetivo parece ter sido silenciar a fonte que apresentou o caso de maneira ampla ao público, com várias reportagens completas, bem elaboradas e acompanhadas de documentos que sustentam o que foi publicado.
Qualquer pessoa tem o direito de não gostar de Dinarte, discordar dele ou criticar seus posicionamentos. O que não se pode ignorar é a qualidade do trabalho jornalístico que ele tem apresentado. Não conheço Dinarte pessoalmente, mas tenho acompanhado seu trabalho nesse caso e tenho visto um jornalismo feito com zelo, critérios e documentação.
Quando Allyson colocou na balança o custo e o benefício de tentar calar Dinarte Assunção, talvez tenha esquecido que, no lado do custo, existem três fatores cujo preço pode ser elevado demais: a solidariedade que o bom jornalismo costuma despertar, a visibilidade que a tentativa de silenciamento acaba dando ao próprio assunto que se pretendia conter e a contradição de quem se apresenta como o novo, mas recorre a práticas que remetem ao que há de mais velho e ultrapassado na política.





