Não sei o quanto o leitor do blog tem percebido que o início da campanha eleitoral aqui no RN trouxe um cenário diferente daquele que muitos imaginavam. A novidade fica por conta da estratégia adotada pelo candidato Álvaro Dias.
Na linguagem popular, Álvaro deu a largada com uma voadora com os dois pés no peito de Allyson Bezerra. Mostrou seu repertório logo no início do jogo.
Trato isso como um fato inesperado para o início da campanha porque todos imaginavam que Álvaro viria com o foco em Cadu Xavier, acentuando o ambiente de polarização entre direita e esquerda, conservadores e progressistas. A estratégia seria evitar que Allyson tivesse protagonismo e, assim, acabasse sendo engolido pelos dois polos com maior identidade junto ao eleitor.
As peças publicitárias de Álvaro que circularam pelos grupos e redes sociais miraram em Allyson sem arrodeios. Dois vídeos, em especial, deram o tom da campanha: um apresentou um resumo de todo o noticiário sobre a Operação Mederi, que envolveu a Operação da PF numa investigação na Prefeitura de Mossoró; o outro tratou da chamada “matemática de Mossoró”.
A estratégia do candidato liberal, porém, não deveria causar tanta surpresa. No debate da Band, ele já havia aproveitado suas falas para cobrar o ex-prefeito de Mossoró sobre a presença da Polícia Federal em sua residência e sobre a negativa de Allyson em fornecer as senhas de seus celulares aos investigadores.
Minha compreensão é que pode estar havendo um redirecionamento de rumo na estratégia. Isso porque está cada vez mais claro que a polarização entre PL e PT não deverá acontecer no Rio Grande do Norte nos mesmos moldes do cenário nacional. O risco era Álvaro e Cadu entrarem em um confronto direto, disputando entre si a atenção do eleitor, enquanto Allyson atravessaria o campo de batalha sem ser molestado.
Tanto Álvaro quanto o PT parecem ter percebido que era preciso mirar primeiro em Allyson, antes do confronto direto entre eles. Sem a desconstrução do ex-prefeito de Mossoró, a polarização ficaria em segundo plano. O foco da artilharia passa a ser colocar Allyson na defensiva e evitar que ele apresente sua narrativa ao eleitor sem ser confrontado.
Até porque os dois lados estão olhando para as pesquisas e percebendo que parte da liderança de Allyson é sustentada por votos de eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro. Pouco mais de um terço dos eleitores desses dois campos, segundo os levantamentos, ainda escolhe Allyson.
A nova estratégia de desconstrução de Allyson busca convencer esse eleitor a votar por afinidade nos candidatos mais alinhados às suas próprias convicções políticas. Para isso, será necessário eliminar ou enfraquecer os motivos pelos quais parte dos eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro ainda escolhe um candidato de centro como opção para o Governo do Estado.
Nesse sentido, Álvaro começou a campanha mostrando seu arsenal. O PT, até agora, um pouco menos, mas é provável que siga a mesma trilha. Allyson não terá vida fácil: serão duas campanhas de peso mirando nele.





