O que estava preparado para ser uma campanha de solidariedade e vitimização para o Cabo Deyvison (PL), com a perda do seu mandato na Câmara Municipal de Mossoró, acabou sendo abortado por conta da retirada do processo da pauta de julgamento.
O processo em questão é aquele em que o MDB pede o mandato de volta após o Cabo ter deixado o partido e se filiado ao PL.
Quando soube que seu processo estava na pauta para ser decidido na última semana, Deyvison foi às redes sociais se dizer vítima mais uma vez e anunciar que cassariam seu mandato. O candidato a governador, Álvaro Dias, foi rápido e prestou solidariedade ao Cabo, denunciando a perseguição contra ele.
O processo saiu da pauta e as postagens de Deyvison também sumiram.
Existem, neste caso, duas coisas importantes a serem analisadas. A primeira é a retirada inesperada do processo da pauta de julgamento.
Há mais interesses em jogo do que imagina a nossa vã filosofia. Não interessava a meio mundo de gente que o processo fosse julgado agora e que Deyvison ficasse sem mandato. Até o fogo amigo entrou em campo.
Os que concorrem na nominata do PL com Deyvison viraram o nariz para essa possibilidade. Todos achavam que cassar Deyvison agora seria dar a ele o argumento para o arremate final na campanha: a perseguição e o vitimismo. Como a concorrência é interna, a retirada da pauta foi motivo de comemoração.
A segunda coisa é que Deyvison esperava a cassação com o roteiro pronto para a vitimização na campanha. Declarar-se alvo de perseguição política era o discurso preparado.
A campanha de Deyvison tem estado num limite tênue entre realidade e a produção de conteúdos. O personagem-herói vem sendo criado e, em alguns momentos, tem exagerado na dose. Ser tirado do mandato era a parte do enredo que faltava.
Como o julgamento não aconteceu, restou a Deyvison fazer uma correção de rota. Segue com a campanha bem ativa, empolgado.





