Está todo mundo na mídia política do Rio Grande do Norte dando como favas contadas o anúncio do apoio de Ezequiel Ferreira e de todo o grupo do PSDB ao candidato Cadu de Lula neste segundo turno das eleições estaduais. Fala-se que o anúncio deverá acontecer até sexta-feira.
Assim como escrevi sobre o entendimento entre Paulinho Freire e Allyson Bezerra, analisando as possíveis contrapartidas da negociação, também neste caso é preciso entender quais seriam as bases de um acordo capaz de atrair Ezequiel para o palanque de Cadu.
Diferentemente de Paulinho, que se acertou com Allyson de olho em 2028 e 2030, Ezequiel estaria fazendo um cálculo político de prazo bem mais curto. Seu olhar está voltado para fevereiro do próximo ano, quando a Assembleia Legislativa elegerá sua nova Mesa Diretora.
Ezequiel comanda o Legislativo potiguar há 12 anos e tem muitos interesses, espaços e articulações políticas que certamente gostaria de ver preservados na próxima legislatura, quando não poderá mais disputar a presidência da Casa em razão das restrições legais à recondução.
E Ezequiel tem um nome favorito para sucedê-lo: a deputada estadual Cristiane Dantas, esposa do ex-vice-governador Fábio Dantas.
Portanto, qualquer posicionamento eleitoral que Ezequiel venha a assumir neste segundo turno precisa ser analisado também à luz das articulações para a eleição da presidência da Assembleia Legislativa em 2027.
E o que a Federação PT/PV/PCdoB teria a oferecer para atrair Ezequiel ao palanque de Cadu de Lula?
Os votos dos seus sete deputados estaduais eleitos para a legislatura 2027-2030.
Considerando que o PSDB elegeu três deputados, a soma com os sete parlamentares da federação chegaria a dez votos. Faltariam apenas três para alcançar os 13 necessários à formação de uma maioria na Assembleia, composta por 24 deputados.
Se Allyson for o próximo governador, caberia a Ezequiel buscar no PL os três votos restantes. Se Cadu vencer a eleição, a articulação poderia envolver Ezequiel e o próprio governo na tentativa de conquistar os votos necessários entre os deputados do União Brasil e do PP.
A essa altura, o leitor pode estar se perguntando: mas Ezequiel não poderia costurar esse mesmo acordo com Allyson Bezerra desde já?
O problema é que, nesse caso, o União Brasil e o PP já teriam um nome escolhido para disputar a presidência da Assembleia Legislativa: o deputado Kléber Rodrigues.
Por fim, existe outra questão que merece reflexão.
Em uma disputa polarizada, na qual o apoio de lideranças políticas nem sempre se traduz em transferência de votos, até que ponto valeria a pena para o grupo de Cadu assumir um compromisso tão significativo, envolvendo os sete deputados da federação de esquerda, em troca do apoio de Ezequiel e do PSDB?
Pessoalmente, penso que nem mesmo a governadora Fátima Bezerra tem o controle absoluto desses sete votos.
Talvez o compromisso possível seja apenas o de indicar um caminho, recomendar a aliança e trabalhar politicamente por sua concretização.
Caberia, então, a Ezequiel fazer o restante do trabalho: conversar, negociar e conquistar, um a um, os votos necessários para eleger seu sucessor na presidência da Assembleia Legislativa.





