Quando ainda estávamos na fase de pré-campanha da disputa pelo Governo do Estado, a questão que se colocava para Cadu Xavier era até que ponto ele conseguiria conquistar o voto do eleitor de Lula.
Naquele período das convenções partidárias, vi pesquisas em que Cadu tinha menos de 20% dos votos atribuídos a Lula nas sondagens.
No início da campanha, surgiram números indicando que Cadu já alcançava 28% dos votos de Lula. Em setembro, chegou aos 40%. A última pesquisa que vi acompanhando essa progressão, dois ou três dias antes do primeiro turno, mostrava Cadu com 42% dos votos de Lula, enquanto Allyson Bezerra tinha 48%.
Veio a eleição, e as urnas mostraram uma mudança significativa. Foi no voto Lulista que Cadu avançou e conseguiu mudar o jogo.
Embora as pesquisas não apresentem muitos dados específicos sobre a continuidade desse avanço no segundo turno, há fortes indícios de que estamos diante de um movimento decisivo para o resultado da eleição.
Uma primeira resposta já temos.
Considerando a hipótese de que a grande maioria dos 26% dos votos obtidos por Álvaro Dias tenha migrado para Allyson Bezerra e levando em conta que as pesquisas atuais mostram um cenário de empate técnico entre os dois candidatos, uma conclusão possível é que o avanço de Cadu entre os eleitores de Lula tenha neutralizado os votos de Álvaro herdados por Allyson.
E aí chegamos a um ponto que pode ser o X da questão.
Ao receber os votos dos eleitores de Álvaro, Allyson avançou o que tinha para avançar? Onde ainda pode crescer nesta reta final? Ou já bateu no teto e agora depende de que Cadu não consiga ultrapassá-lo?
Cadu, por sua vez, avança entre os eleitores de Lula. Esse movimento é perceptível. Mas ainda existe margem significativa para continuar crescendo nesse eleitorado ou essa transferência também já chegou ao seu limite?
Aqui estão duas questões fundamentais.
Minha dúvida sobre até onde Cadu ainda poderá avançar no eleitorado lulista, ou se já bateu no teto, se deve também ao fato de que nem todo voto de Lula no Rio Grande do Norte é necessariamente transferível.
Há o eleitor de Lula que vota em Allyson, mas há também o eleitor de Allyson que vota em Lula. Nesse segundo caso, é primeiro um voto de Allyson para depois ser um voto de Lula.
Portanto, não se pode considerar que todos os 59% dos votos atribuídos a Lula no RN sejam automaticamente transferíveis para Cadu por força da identificação ideológica ou da polarização política. Existe uma parcela desse eleitorado cuja escolha para o Governo do Estado segue uma lógica diferente. O tamanho dessa fatia, eu não sei.
E são justamente essas perguntas, ainda sem respostas definitivas, que explicam a indefinição do pleito.
Só as urnas darão as respostas.





