NOTA À IMPRENSA – Apelo à Responsabilidade Pública em Mossoró
É com profunda preocupação social que esta nota vem a público alertar sobre uma realidade grave e crescente em Mossoró, que vem sendo silenciada aos olhos da sociedade e das instituições responsáveis.
Atualmente, observa-se a concentração de uma situação análoga à chamada “cracolândia” no entorno do Lar da Criança Pobre, local conhecido popularmente como “o espaço das irmãs”. O que se percebe, na prática, é a inexistência de uma linha diretiva clara voltada à recuperação efetiva das pessoas que ali se encontram. Predominam ações assistencialistas pontuais, sem um projeto estruturado de cuidado, acompanhamento e reinserção social.
Muitas das pessoas que vivem naquela área ocupam quartos e espaços que não se integram ao interior da instituição, mantendo acesso direto e permanente à rua externa. Esse cenário tem favorecido a intensificação do consumo de álcool e outras drogas, conflitos frequentes, brigas constantes e a ampliação de práticas ilícitas, transformando a região em uma das áreas mais críticas de insegurança urbana na cidade.
É de conhecimento público que ali circulam pessoas envolvidas em diversos delitos, incluindo indivíduos foragidos da Justiça, com tráfico e troca de substâncias ocorrendo de forma recorrente. Ainda assim, percebe-se uma omissão preocupante: a Justiça não atua de forma efetiva diante dos fatos reiterados, a polícia parece agir com tolerância excessiva ou invisibilidade, e o poder público, de maneira geral, mantém-se distante de uma intervenção responsável, integrada e resolutiva.
A sociedade mossoroense precisa compreender que ignorar essa realidade não a faz desaparecer. Ao contrário, o silêncio institucional apenas empurra o problema para um ponto de ruptura maior, onde tragédias anunciadas tendem a ocorrer.
Diante disso, este texto se configura como um apelo urgente à Justiça de Mossoró, às forças de segurança pública, aos órgãos de controle, aos gestores municipais e estaduais e a toda a rede de políticas públicas: é imprescindível olhar com seriedade, humanidade e responsabilidade para a situação crítica, caótica e perturbadora que hoje se instala naquela região.
Cuidar dessas pessoas não é abandoná-las à própria sorte nem permitir que o território se torne um espaço de violação de direitos, insegurança e sofrimento coletivo. É dever do Estado garantir políticas públicas efetivas, tratamento digno, acompanhamento técnico e ações que protejam tanto os indivíduos em vulnerabilidade quanto a população em geral.
Antes que algo ainda mais grave aconteça, é preciso agir.
Mossoró, Janeiro de 2026
KARENINE FERNANDES – assistente social e psicóloga





