A flagrante contradição de Styvenson ao criticar o governo por fazer publicidade institucional

O senador Styvenson Valentim nunca foi conhecido por ter cuidado com a língua. Ele é muito espontâneo e, às vezes, exagera na dose. É o caso da crítica dura que fez ao governo de Fátima Bezerra pelos valores investidos em propaganda institucional.

Em uma postagem nas redes sociais, Styvenson foi enfático ao criticar o fato de o Governo do Estado ter previsto investir, neste ano, cerca de R$ 36 milhões em publicidade.

O Sindicato das Empresas de Rádio, Televisão, Jornais, Portais e Revistas do RN rebateu a crítica. Em nota, a entidade destacou que o Estado está investindo exatamente 0,12% do orçamento global de 2026 em publicidade — um percentual considerado pequeno e necessário para garantir à população o acesso à informação sobre serviços, obras, campanhas educativas e ações governamentais.

O ponto central da discussão, no entanto, é que Styvenson parece ter esquecido de olhar para a própria atuação. Segundo dados apresentados pelo sindicato, o senador utilizou R$ 446 mil em 2024 e R$ 412 mil em 2025 com publicidade do seu mandato.

Os senadores dispõem anualmente de até R$ 540 mil para gastos de gabinete, por meio da chamada Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar. É dessa verba que Styvenson retira os recursos para investir na divulgação de suas ações. Considerando o teto disponível, o senador utilizou cerca de 80% desse montante apenas com publicidade.

Styvenson tem total liberdade para utilizar a cota parlamentar da forma que considerar adequada. No entanto, os dados evidenciam uma contradição entre o que pratica e o que critica.

A crítica aos valores investidos pelo Estado em publicidade, neste caso, parece descabida, soando mais como discurso eleitoral do que como uma análise consistente. Isso porque ignora os objetivos da propaganda institucional, previstos na Constituição, e que são executados por todos os governos.

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