Allyson sai intacto do debate na Inter TV. Lula toma decisão arriscada e fugirá do debate da Globo

Vamos falar de debates.

Primeiro, o debate desta terça-feira à noite na Inter TV Cabugi. Pouca coisa a dizer. Mais do mesmo. Não houve derrotados nem vencedores.

Cada um cumpriu o papel a que se propôs. Allyson, mais uma vez, não respondeu às inúmeras perguntas sobre a Operação Mederi. Cadu voltou a dizer que tem orgulho de ser Cadu de Lula e Cadu de Fátima. E Álvaro, pela enésima vez, teve que explicar a bagunça que fez com a obra da engorda e o hospital inaugurado que nunca funcionou.

No geral, o debate favoreceu Allyson Bezerra. Ele é o único que pode comemorar um empate nesta altura do campeonato. Dono da liderança na disputa, se nada acontecer, sua vantagem está preservada.

Sobre o impacto no eleitor, penso que só os heróis conseguiram entrar pela madrugada assistindo ao debate. A maioria ficou pelo caminho. E nem é culpa dos debatedores ou da organizadora. É a natureza dos debates. É assim mesmo.

DEBATE LULA X FLÁVIO

Vamos falar agora do debate desta quinta-feira na Rede Globo de Televisão.

O tão esperado embate entre Flávio Bolsonaro e Lula não vai acontecer. O presidente da República já avisou que não irá comparecer. Seu lugar permanecerá vazio durante o debate, que contará com os demais concorrentes.

E a novidade: Flávio Bolsonaro avisou que vai comparecer. Eis a atração principal.

Acho que é uma cartada decisiva para Flávio. Ou ele convence o País de que tem capacidade para dirigir o Brasil, de que está pronto e sabe o que quer, ou confirma que é apenas um animador de auditório abastecido pelo voto anti-Lula, mas incapaz de dizer duas frases completas sobre o Brasil que pretende construir.

Para Flávio, é tudo ou nada. Se mostrar que está preparado, pode conquistar uma parcela dos indecisos e ampliar suas chances nesta reta final. Se acontecer o contrário, pode sair do debate em situação bem mais difícil.

Para Lula, a decisão de não ir também é uma cartada importante. Entrega o palco para Flávio se consagrar ou se enterrar. Fugir do debate para não servir de vidraça para um pacote de candidatos ávidos por um alvo pode representar o risco de deixar Flávio assumir o protagonismo do jogo.

A decisão de Lula pode também ter peso sobre a possibilidade de a eleição terminar ou não no primeiro turno. Acho muito arriscada a escolha de entregar o protagonismo aos adversários.

Os próximos dias dirão se ele errou feio ou acertou em cheio.

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