A disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial evidencia, mais uma vez, que o embate entre petismo e bolsonarismo continuará sendo o eixo central da polarização nacional.
As duas últimas pesquisas divulgadas apontaram Lula e Flávio rigorosamente empatados. Foi o suficiente para elevar a temperatura do debate. Na CPMI do INSS, os ânimos se exaltaram. Nas redes sociais, o confronto também se intensificou.
A grande questão é até que ponto esse cenário influenciará as eleições estaduais. A polarização ficará restrita à disputa presidencial ou será reproduzida nos embates pelos governos dos estados?
No Rio Grande do Norte, o debate já começou a ganhar contornos semelhantes. Em entrevista recente, Cadu Xavier — pré-candidato ao governo pelo PT — afirmou que a disputa no RN se concentrará entre lulistas e bolsonaristas. Álvaro Dias — pré-candidato pelo PL — já havia feito declaração semelhante dias antes, prevendo que ele e o candidato do PT estarão no segundo turno.
No meio desse cenário está o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que claramente tenta construir um palanque de centro, afastado dos dois polos e das disputas ideológicas entre esquerda e direita.
A estratégia de Allyson é evitar que o debate eleitoral seja pautado pelas bandeiras que colocam PT e PL em campos opostos. Ele pretende focar nos problemas do Estado, na situação financeira, no potencial de desenvolvimento e comparar sua gestão à frente da Prefeitura de Mossoró com a trajetória administrativa dos adversários.
Resta saber se conseguirá manter esse foco em meio a um ambiente tão tensionado. Será possível discutir endividamento estadual enquanto as redes sociais fervem com denúncias envolvendo o INSS? Haverá espaço para comparações administrativas quando o debate gira em torno de famílias em latas de conserva?
Quanto mais intensa a polarização, maior tende a ser a dificuldade de um candidato de centro em atrair eleitores dos dois lados. A rápida ascensão de Flávio Bolsonaro nas pesquisas indica a consolidação do eleitorado bolsonarista. Do outro lado, o eleitorado lulista também demonstra mobilização, abandonando o discurso conciliador e adotando postura mais combativa.
Confesso que não tenho uma resposta definitiva sobre a possibilidade de Allyson ser engolido pela polarização. O risco existe. A dúvida é até que ponto a eleição estadual seguirá o mesmo grau de divisão observado no cenário nacional. O que se percebe é que Álvaro e Cadu, representantes dos polos, parecem apostar nessa lógica — e investem nela.





