O Instituto Atlas divulgou mais uma pesquisa nacional. Foram entrevistados 4.986 eleitores pela internet, no período de 19 a 24 de fevereiro. A margem de erro é de 1 ponto percentual. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 07600/25.
Não trarei todos os cenários, apenas os que considero mais importantes.
No cenário 1 de primeiro turno, o resultado foi o seguinte:
Lula – 45%
Flávio Bolsonaro – 37,9%
Caiado – 4,9%
Zema – 3,9%
Renan Santos – 2,9%
Aldo Rebelo – 1,1%
Nenhum, nulo ou branco – 3,8%
Não sabem – 0,5%
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o resultado seria:
Flávio – 46,3%
Lula – 46,2%
Já em um segundo turno entre Lula e Tarcísio:
Tarcísio – 47,1%
Lula – 45,9%
Sobre a aprovação de Lula, a pesquisa Atlas trouxe o seguinte resultado:
Desaprova – 51,5%
Aprova – 46,6%
Ruim + péssimo – 48,4%
Ótimo + bom – 42,7%
Expostos os números, vamos à análise. O que está por trás desses resultados?
Embora Flávio tenha ultrapassado Lula no segundo turno, não se trata de um crescimento expressivo do senador, mas de uma queda significativa do presidente. Flávio cresceu 1,4 ponto percentual em relação à pesquisa anterior, de janeiro. O dado mais relevante, porém, é que Lula caiu 3 pontos.
Para confirmar que o dado central é a queda de Lula, basta observar que Tarcísio de Freitas — que sequer é candidato — cresceu mais que Flávio. Além disso, Lula também perde desempenho no segundo turno quando o adversário é Tarcísio. Em todos os cenários simulados de segundo turno, Lula apresenta queda.
Há ainda outro dado importante. No primeiro turno, Lula tem 45% na maioria dos cenários e sobe apenas para 46% no segundo turno. Ou seja, o presidente que busca a reeleição praticamente não amplia sua base entre o primeiro e o segundo turno. Já Flávio Bolsonaro salta de 37,9% para 46,3%.
Fica claro que a pesquisa aponta Lula em queda no recorte eleitoral. Contudo, há um detalhe relevante: na avaliação de governo, os índices de aprovação e desaprovação permanecem praticamente os mesmos em relação a janeiro. O mesmo ocorre com os indicadores de ótimo + bom e ruim + péssimo.
Portanto, a avaliação da gestão não se alterou. A mudança ocorreu no campo eleitoral, com queda de três pontos nas intenções de voto.
O que isso significa? Para mim, há uma explicação possível: o impacto negativo recente na imagem presidencial após o episódio da família na lata de conserva. Esse é o saldo do carnaval para Lula. Administrativamente, não houve ganho nem perda. Mas, do ponto de vista simbólico e de percepção pública, houve desgaste — e isso já começa a aparecer nas intenções de voto.
Simples e claro.





