Essa história sobre o Hospital Municipal de Natal está virando uma série: as mil razões pelas quais o hospital nunca funcionou. O próprio Álvaro Dias, que era prefeito e realizou a inauguração no fim da sua gestão, já apresentou diferentes versões para tentar justificar o caso.
Primeiro, disse que o hospital estava pronto para funcionar quando foi inaugurado. Depois, afirmou que apenas a estrutura física estava concluída e que faltavam os equipamentos. Agora, a nova explicação é que a unidade ainda não entrou em funcionamento porque Paulinho Freire decidiu ampliar a estrutura física.
Mas a resposta mais surpreendente para o imbróglio veio de Babá Pereira, pré-candidato a vice-governador na chapa de Álvaro. Ao ser questionado sobre o assunto, ele respondeu: “Quantas vezes a Barragem de Oiticica foi inaugurada? Quantas vezes a Reta Tabajara também foi entregue?”. A tentativa era argumentar que isso seria algo comum em obras públicas, que acabam sendo inauguradas mais de uma vez.
O grande problema para Álvaro e Babá é que, em meio a tantas explicações, nunca optaram simplesmente pela verdade, que sempre foi o caminho mais fácil e mais adequado.
Enquanto não se encara o fato de que foi inaugurada uma obra que nunca funcionou, ao menos deveria ser evitado um argumento como o apresentado por Babá.
Afinal, justificar que é normal uma mesma obra ter várias inaugurações equivale a dizer que é aceitável fazer teatro para a população. Que não há problema em promover inaugurações de fachada.
Em resumo, Babá acaba normalizando a ideia de que se pode fazer o cidadão de bobo.




