Me impressionou a iniciativa do governador eleito, Cadu Xavier, de formar uma equipe de transição fora dos padrões convencionais. Cadu deu o primeiro sinal claro de que tem uma visão mais ampla sobre o seu futuro governo.
Na equipe, estão inclusive pessoas que não votaram nele e que participaram das campanhas de seus adversários.
O mais comum é formar uma equipe de transição caseira, reunindo técnicos da confiança do futuro governante, muitas vezes os próprios futuros secretários, que terão acesso a informações internas, planilhas governamentais e dados sensíveis da administração pública.
Mesmo assim, Cadu decidiu incluir nomes técnicos que representam diferentes setores da sociedade. Convidou representantes da Federação dos Municípios, dos trabalhadores, da indústria, do comércio, do Crea e das universidades, entre outros.
Isso significa abrir espaço para pessoas que não votaram nele, permitindo que participem das discussões e tenham acesso a informações importantes sobre a situação do Estado. Mais do que isso, demonstra disposição para construir um plano de trabalho com quem não integra seu grupo político.
A iniciativa parte de uma percepção: embora não sejam aliados políticos, todos esses setores compartilham o interesse de encontrar caminhos para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
Confesso que fiquei impressionado com o gesto de Cadu. Pense bem: quantos governantes teriam disposição para escolher, para sua equipe de transição, pessoas que votaram em seus adversários?
Não se trata apenas de produzir conteúdo midiático. É um gesto que sinaliza uma forma de conduzir a transição e oferece pistas sobre o que podemos esperar do futuro governo.





