Dívida pública do RN: o real endividamento, a briga dos números e a lógica do eleitor

Uma notícia sempre pode ter mais de uma interpretação. Isso depende de dois fatores: a forma como é transmitida e a forma como é recepcionada. Nem sempre há distorção dos fatos; muitas vezes, é o ângulo de visão que permite entendimentos múltiplos.

Explico por que faço este comentário. Refiro-me à notícia sobre o endividamento do Estado. Há dois ângulos sendo expostos na mídia. Em um portal de notícias, a manchete dizia: “Dívida do RN foi a que mais cresceu entre os estados em 2025, diz relatório”. Já em outros blogs, li que o endividamento do Estado está bem menor na gestão de Fátima.

As duas informações são verdadeiras. Tudo depende do enfoque que cada manchete decide expor.

Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), a alta no endividamento do RN foi de 35% no período, saindo de R$ 7,2 bilhões em 2024 para R$ 9,7 bilhões em 2025. Comparado aos demais estados, foi o maior crescimento em um único ano.

Contudo, na defesa do governo, argumenta-se que, em 2025, a dívida corresponde a 19,06% da receita corrente líquida. Em 2019, quando Fátima assumiu, esse percentual era de 36,77%. Ou seja, proporcionalmente à receita, o endividamento foi reduzido quase pela metade.

O PT ainda utiliza, em sua defesa, o comparativo entre o atual endividamento do governo estadual e o das duas maiores prefeituras do RN: Mossoró e Natal. Enquanto o Governo do Estado tem dívidas que correspondem a 19,06% da receita, a Prefeitura de Mossoró deve 44,1% e a Prefeitura de Natal, 22,6%.

Como se percebe, a mesma notícia pode ter duas faces. Depende de qual delas se escolhe olhar — e ambas são verdadeiras.

Tudo isso nos leva a refletir sobre o debate eleitoral de 2026, especialmente sob o enfoque que já destaquei anteriormente: a experiência do eleitor com a administração pública. Enquanto os lados se digladiam com seus números, o eleitor — que julgará com seu voto — carrega uma vivência pessoal dessa realidade.

A questão central é o quanto esses números da economia terão peso no julgamento do eleitor. Vejam: enquanto Allyson apresenta o dobro de endividamento na Prefeitura de Mossoró, mantém aprovação próxima de 80%. Já Fátima, mesmo com endividamento proporcionalmente menor, enfrenta cerca de 60% de rejeição.

Fica o tema para reflexão.

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