Do limão à limonada: o novo cálculo do PT para a eleição indireta e a chance de fortalecer Cadu

Uma parte significativa do PT potiguar quer aproveitar o limão para fazer a limonada. Depois de ser surpreendido com a decisão de Walter Alves de não assumir o Governo após a renúncia de Fátima Bezerra, e de ver todo o planejamento ir pelo ralo, o partido começa a enxergar uma oportunidade dentro da situação criada.

Hoje, já é maioria dentro do PT a defesa da proposta de que Cadu Xavier seja o nome governista a ser apresentado na eleição indireta prevista para abril. Quase todo o núcleo decisório já compreende que lançar Cadu para o mandato tampão pode ser o pulo do gato.

Há várias razões para isso. Vamos a elas.

A primeira e principal razão seria a construção de um contra-discurso eficaz para enfrentar a narrativa da quebradeira do Estado. O PT faria a campanha de Cadu para o mandato tampão com a tese central de que sua eleição seria a prova de que o “monstro não é tão feio”. Ao mesmo tempo, os adversários seriam confrontados com o argumento de que não existe quebradeira e de que, na verdade, o objetivo deles é apenas chegar ao poder. Cadu no mandato tampão surgiria, assim, como o antídoto ideal.

A segunda razão, conforme ouvi de alguns petistas, é que, se eleito para o mandato tampão, Cadu se fortaleceria de forma significativa para a disputa de outubro, quando seria candidato à reeleição e entraria na campanha com a caneta na mão. Seu nome ganharia rapidamente mais visibilidade, o grau de conhecimento popular aumentaria e a associação com o presidente Lula se tornaria muito mais fácil.

A terceira razão estaria na ampliação dos espaços para que Cadu pudesse fazer a defesa do legado de Fátima Bezerra. Nesse cenário, ele teria acesso privilegiado a palcos institucionais para expor obras, ações e entregas do governo. Na condição de governador, Cadu teria inúmeras oportunidades de apresentar o pacote completo da gestão, em vez de permanecer no ostracismo de uma pré-candidatura, dependendo de convites esporádicos para entrevistas.

O que percebo dentro do PT é o início de uma empolgação real com o nome de Cadu Xavier para o mandato tampão, acompanhada de cálculos que indicam que a chance de êxito é concreta. A premissa é que se será preciso gastar muita energia nesta eleição extra, porque não ir um pouco mais além num passo tão decisivo.

No entanto, uma coisa é planejar uma estratégia e definir um nome para a eleição indireta; outra, bem diferente, é conseguir os 13 votos necessários na Assembleia Legislativa para viabilizar a eleição de Cadu Xavier. É exatamente nesse ponto que a cúpula petista concentra seus esforços neste momento.

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