Considerando o favoritismo de Styvenson Valentim nas pesquisas, que indicam uma tendência de reeleição ao Senado, o principal ponto de análise sobre a eleição para o Senado passa a ser a disputa pela segunda vaga.
Styvenson caiu nas últimas pesquisas, isso é fato. Ainda assim, há mais de um ano ele mantém uma posição isolada de liderança, o que reforça que seu favoritismo para conquistar uma das vagas como algo concreto.
A questão, então, é identificar quem aparece mais forte na corrida pela segunda cadeira. Do ponto de vista das pesquisas, Zenaide Maia surge com vantagem. Ela mantém uma posição confortável em praticamente todas as sondagens divulgadas até aqui.
É interessante observar que a disputa reúne quatro nomes competitivos: Coronel Hélio, Zenaide Maia, Samanda Alves e Rafael Motta. Nenhum deles pode ser descartado neste momento.
Particularmente, não vejo a direita conseguindo conquistar as duas vagas ao Senado. Avalio que o bolsonarismo e o campo da direita não demonstram, hoje, capital eleitoral suficiente para isso. Basta observar os números das eleições anteriores.
Dessa forma, o campo progressista aparece com boas chances de ficar com a segunda vaga. A dúvida é saber com quem: Zenaide, Samanda ou Rafael. Coloco Zenaide nesse campo porque, na prática, esse é o perfil político dela. O campo progressista não se resume apenas à esquerda petista, ele é mais amplo.
É quase chover no molhado dizer que terá vantagem quem conseguir furar a bolha, mas essa continua sendo a grande realidade da disputa. E é justamente isso que hoje coloca Zenaide em posição de favoritismo: ela consegue ter boa votação na esquerda e, ao mesmo tempo, dialogar com o centro, especialmente através da aliança com Alysson Bezerra e com a rede de prefeitos que a apoia.
Rafael Motta, neste estágio da pré-campanha, aparece como um nome de potencial, mas ainda precisa transformar potencial em voto. O desempenho inicial nas pesquisas ajuda nesse processo. O que pesa contra é a falta de estrutura e o fato de ter entrado mais tarde no jogo político. Rafael ainda busca consolidar seu espaço e definir com mais clareza seu papel.
A situação mais delicada parece ser a de Samanda Alves, que ainda não conseguiu encontrar um caminho para envolver o eleitor não petista. Não tenho dúvidas de que Samanda será uma candidata competitiva, mas hoje ela aparece como o nome com maior dificuldade para ultrapassar sua própria bolha eleitoral.
Isso fica evidente nas pesquisas, principalmente pela dificuldade de transferência dos votos que antes eram de Fátima Bezerra. Não se trata do eleitorado petista, que naturalmente acompanha a governadora, mas do eleitor não petista que votava em Fátima e que, até agora, não migrou para Samanda.
São três competidores de alto nível, mas é muito provável que dois acabem ficando pelo caminho. Ainda é cedo para afirmar quem vence ou quem perde. A eleição está a mais de quatro meses de distância, e as análises precisam ser feitas com base no retrato atual do momento político. Hoje, olhando para o cenário que está posto, a fotografia é essa.





