O sistema da Justiça Eleitoral está recebendo uma enxurrada de registros de pesquisas no Rio Grande do Norte nesta reta final da campanha eleitoral. Somente nos primeiros 18 dias de setembro foram 20 pesquisas registradas. A expectativa é de que esse número continue crescendo até os últimos dias que antecedem o primeiro turno.
O dia 28 de setembro é a data-limite para o registro das pesquisas realizadas antes da eleição que se pretenda divulgar no próprio dia da votação. Até lá, portanto, a tendência é de que muitos levantamentos sejam registrados.
Somente no RN existem cerca de 20 institutos realizando sondagens junto aos eleitores, isso sem contar os institutos nacionais que também realizam levantamentos no estado.
Sem querer qualificar os institutos, apontando quais trabalham de forma criteriosa ou levantando suspeitas sobre aqueles que possam eventualmente atuar para atender a interesses eleitorais, recomendo um olhar crítico sobre alguns números que estão sendo divulgados. Há situações em que pode nem existir interesse eleitoral por trás dos resultados, mas simplesmente um trabalho realizado sem o rigor e o zelo necessários.
Cabe a cada um fazer sua própria avaliação sobre as metodologias adotadas e os números apresentados.
A própria Justiça Eleitoral tem se deparado com questionamentos envolvendo pesquisas e institutos. Nesta eleição estadual, temos acompanhado decisões suspendendo a divulgação de levantamentos e contestações relacionadas ao cumprimento das exigências previstas na legislação.
Eu até entendo as justificativas quando se trata de uma questão meramente técnica, como nos casos em que o instituto deixa de anexar algum documento exigido ou não atualiza determinada informação. Embora isso não signifique necessariamente um problema com o resultado da pesquisa, o desleixo acaba pesando contra a credibilidade do próprio instituto.
Mais preocupantes são situações em que aparecem indícios que merecem uma análise mais cuidadosa, como institutos diferentes utilizando a mesma equipe de coleta ou apresentando códigos internos coincidentes. Casos assim precisam ser devidamente esclarecidos.
O fato é que pesquisas eleitorais podem ser utilizadas como instrumentos de campanha. Por isso, é necessário ter cuidado diante de levantamentos que apresentem números muito discrepantes ou metodologias pouco transparentes. Uma pesquisa sem rigor pode produzir uma percepção equivocada sobre a posição de determinado candidato e, consequentemente, influenciar a discussão sobre voto útil e a própria dinâmica da campanha.
Aqui no blog tenho procurado divulgar pesquisas que considero mais bem elaboradas e criteriosas. Também procuro analisar os números, comparar levantamentos e observar possíveis divergências entre pesquisas realizadas por diferentes institutos.
Meu conselho ao eleitor é simples: não olhe apenas para o número final. Observe o instituto, quem contratou, a metodologia, o tamanho da amostra, o período de campo e, principalmente, compare os resultados para identificar tendências, curvas e a progressão dos dados.
Esse cuidado se torna ainda mais importante nesta reta final, quando as pesquisas ganham peso no debate eleitoral e passam a fazer parte das estratégias das próprias campanhas em busca do voto útil.





