Procurei me informar com mais cuidado sobre o evento denominado “RN do Futuro”, programado para o próximo dia 7, em Natal, convocado por cinco partidos: União Brasil, Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD), Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Solidariedade. Na mídia, o encontro vem sendo tratado como o lançamento oficial da pré-candidatura do prefeito Allyson Bezerra ao Governo do Estado.
Pelo que apurei, no entanto, não é exatamente essa a configuração do evento, embora os organizadores não demonstrem grande preocupação com a forma como ele tem sido interpretado. As múltiplas leituras fazem parte da estratégia. O objetivo central é gerar repercussão política, demonstrar unidade do grupo e construir pautas positivas.
Na prática, o “RN do Futuro” foi concebido como um ato de convocação. A ideia é que os partidos chamem publicamente Allyson Bezerra a disputar o Governo do Estado. Os discursos devem girar em torno desse apelo, apresentado não apenas como uma demanda partidária, mas também como um chamado da população para que o prefeito de Mossoró coloque seu nome à disposição do Rio Grande do Norte em um momento considerado difícil, sob a perspectiva de um novo futuro.
Allyson já havia comunicado às legendas que, no instante em que oficializar sua candidatura, pretende também apresentar o pedido de renúncia à Prefeitura de Mossoró, a fim de ter liberdade para se dedicar integralmente à pré-campanha. Sobre a renúncia, o prefeito acertou com seu vice, Marcos Medeiros, que o ato ocorrerá apenas na segunda quinzena de março.
Após a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal em sua residência, e diante da postura rápida e firme adotada pelo prefeito em sua defesa, aliados passaram a defender que o lançamento oficial da candidatura deveria ocorrer o quanto antes, como forma de demonstrar coesão e força política do grupo.
Allyson, no entanto, manteve a posição de que só fará o lançamento oficial quando puder, simultaneamente, apresentar a renúncia ao cargo. Para ele, não faz sentido oficializar o projeto político sem ter condições de se dedicar integralmente a ele. A definição é de que isso ocorra em março.
Diante desse impasse, a solução intermediária encontrada foi a realização do evento do dia 7, concebido como um ato simbólico de convocação.
Há forte cobrança na mídia — especialmente na capital — sobre o fato de Allyson ainda não ter anunciado oficialmente sua entrada na disputa, mantendo injustificadamente uma resistência ao lançamento da pré-candidatura. Essa pressão se intensifica pelo fato de a chapa já contar com um vice definido, mas ainda não ter o titular oficialmente apresentado.
Assim, diante da pressão dos aliados e da necessidade de responder à repercussão negativa da operação policial, foi formatado o “RN do Futuro”. Embora o evento esteja sendo tratado por muitos como um lançamento de candidatura, essa não é, ao menos até o momento, a estratégia efetivamente desenhada.





