O assunto do final de semana foram as duas falas de Ezequiel Ferreira que deram o que falar. A primeira foi em um palanque na cidade de Parazinho, onde se empolgou nos elogios a Allyson Bezerra. A segunda, nas redes sociais, tentando explicar que seu candidato a governador é Álvaro Dias.
Vamos, então, à primeira fala e ao que Ezequiel disse exatamente em Parazinho:
“Quando recebi Allyson na Assembleia, ainda novinho, ele me dizia: ‘Ezequiel, eu sou um sobrevivente da dificuldade, eu sou um sobrevivente da adversidade, mas eu sou um jovem que acreditei no estudo para melhorar a minha vida e a vida do meu pai e da minha mãe’. Esse mesmo Allyson que hoje, depois de se destacar como um dos maiores gestores do Brasil na Prefeitura de Mossoró, bota seu nome à disposição para que o povo do RN possa fazer uma opção séria, voltada para alguém que acredita na política como instrumento para se fazer o bem comum.”
Agora, a segunda fala, se justificando:
“Venho aqui confirmar o que já é certeza: meu candidato a governador é Álvaro Dias. Todos sabem. Quero dizer a vocês que tenho o apoio de diversos palanques políticos no RN e respeito o posicionamento de todas as lideranças que me apoiam. Ontem estive no município de Parazinho, onde elogiei outro candidato por ser ex-deputado e ter convivido comigo. Mas deixo claro: meu posicionamento é Álvaro 22, governador do Rio Grande do Norte.”
A análise é a seguinte: Ezequiel é bastante experiente na política. Não faria uma fala com esse contexto sobre Allyson, sabendo que dezenas de celulares estavam filmando tudo, apenas por causa da empolgação. Pode ter se empolgado, sim, mas disse conscientemente tudo o que quis dizer.
Em campanha eleitoral, tudo tem consequências. O que é dito sem querer e, mais ainda, o que é dito querendo.
Embora tenha justificado que a fala foi feita em um contexto no qual o mesmo apoiador dele na cidade também apoiava Allyson e que, por isso, dançou conforme a música que a orquestra tocou, não é bem assim.
Ezequiel poderia não ter se estendido tanto. Não precisava praticamente recomendar o voto em Allyson. Tinha mil maneiras de fazer um discurso sem esse viés e, mesmo assim, agradar ao anfitrião. Bastava citar o apoiador, destacar a cidade etc. Não havia necessidade de ir por onde foi.
A segunda fala, em que justifica a primeira, de fato repôs as coisas no lugar. Sem essa justificativa, dez em cada dez pessoas diriam que Ezequiel virou a casaca. Mas ele colocou as coisas no lugar ao afirmar que seu candidato a governador é Álvaro Dias.
Há compromissos entre Ezequiel e Álvaro. Há acordos feitos. Nesse sentido, restou apenas o dito pelo não dito.
Mas, como toda palavra tem consequências, ficou a sensação de que a boca fala do que o coração está cheio.





