Marcos Medeiros não precisa ser um segundo Allyson para construir uma gestão bem avaliada

Marcos Medeiros é prefeito de Mossoró há sete meses e sete dias. Considerando que este ano teve um forte componente eleitoral e que, em 2028, teremos eleições municipais, com as consequentes restrições de ordem administrativa, Marcos tem, na prática, apenas o ano de 2027 para imprimir sua marca na gestão.

Tenho ouvido inúmeros comentários sobre o perfil de Marcos e seu desempenho administrativo. A maioria deles, negativos. E tenho percebido também algumas análises injustas. Muitos querem medir Marcos pela régua de Allyson, e penso que não é por aí.

É uma falsa expectativa imaginar que Marcos será um Allyson 2. Mas há quem esteja esperando um prefeito soberano nas redes sociais, animador de auditório, apresentando cada obra com o discurso de que “nunca antes na história de Mossoró…”.

Não estou aqui apresentando razões pelas quais devemos aprovar Marcos, mas argumentos pelos quais não devemos julgá-lo precipitadamente.

É bem verdade que, depois de alguém com o estilo de Allyson, torna-se difícil para o gestor seguinte, aliado ou não, imprimir uma marca própria sem que seja imediatamente comparado ao antecessor.

Não duvido das boas intenções de Marcos Medeiros. É um sujeito educado, ponderado e que tem bons propósitos à frente da Prefeitura. Mas é preciso bem mais do que isso para conquistar a aprovação da população.

Mais do que correr atrás de uma marca própria, ele precisa ser reconhecido pela sinceridade e pela capacidade de transmitir confiança. E isso dificilmente será possível se conduzir sua gestão obcecado pela sombra de Allyson. No máximo, será chamado de marionete ou pau mandado.

Assim como Allyson foi um bom executor de obras, também não lhe faltaram críticas pelo estilo arrogante, pela relação com os servidores públicos, pela postura de autossuficiência, por deixar aliados para trás e pelo tratamento dispensado aos adversários políticos. Enfim, há muitas queixas também.

O que Marcos precisa compreender é que o cidadão, em geral, não mede os gestores apenas pelos números e pelas obras que entregam. A população também valoriza a sinceridade e a verdade. Primeiro, reconhece essas qualidades. Depois, confia. E, por fim, aprova.

Talvez Marcos nunca supere Allyson na pirotecnia, mas pode superá-lo na capacidade de se mostrar sincero, transparente, verdadeiro e humilde.

Quem sabe não seja esse o caminho? Associado, é claro, a uma boa gestão.

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