Ontem e hoje: a troca de palanque e o cavalo de pau no discurso político

As mudanças nos palanques para as eleições de outubro estão gerando um fenômeno curioso de se observar: a troca de lado implica, quase obrigatoriamente, a mudança de discurso. Quem antes elogiava passa a criticar. E vice-versa.

Dois personagens exemplificam bem essa análise: Walter Alves e Hermano Morais. Até a virada do ano, ambos estavam alinhados ao governo de Fátima Bezerra.

Walter Alves, com o comando de quatro secretarias de Estado e o controle de empresas estatais importantes, como a Caern, não pode afirmar que não era governo. E não apenas de forma figurada. Era governo com poder decisório. Por isso, o discurso atual, que fala na necessidade de construir um novo futuro para o Rio Grande do Norte e aponta a “hora da mudança”, soa estranho, já que ele participou ativamente da construção do presente que agora critica.

Hermano Morais, embora com participação menor, também integrou votações importantes em defesa de políticas públicas do atual governo. Era aliado. A presença de Hermano neste texto se justifica pela veemência do discurso que fez no sábado passado, incorporando integralmente a crítica mais dura à gestão de Fátima Bezerra.

Não se trata aqui de defender que políticos não possam mudar de lado ou se aliar a projetos diferentes em eleições distintas. Eles têm todo o direito. Ainda assim, chama atenção o discurso de ocasião. Não há sequer o cuidado de moldar uma transição na fala.

A contundência de Hermano ao criticar hoje o governo contrasta fortemente com sua postura de poucos meses atrás. Foi da água para o vinho.

O mesmo ocorre com Walter Alves. Ao observar fotografias recentes de Walter, Fátima e Cadu juntos e de mãos dadas, torna-se difícil conciliar aquelas imagens com o discurso feito no sábado sobre a necessidade urgente de mudança no Rio Grande do Norte.

Para concluir, o que causa estranhamento é o “cavalo de pau” no discurso, sem qualquer ajuste de transição. É evidente que Hermano estará no palanque, durante a campanha, atacando duramente o governo de Fátima. Waltinho também. Estranho é. Mas, ao fim, essa é a lógica do jogo político.

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