A Inter TV Cabugi divulgou, na noite desta segunda-feira, a primeira pesquisa Quaest realizada no Rio Grande do Norte. E os números surpreenderam. A Quaest ouviu presencialmente 804 pessoas entre os dias 20 e 23 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número RN-00876/2026.
1º turno (estimulada)
- Allyson (União): 25%
- Cadu de Lula (PT): 21%
- Álvaro Dias (PL): 19%
- Rodrigo Bolsonaro (Agir): 2%
- Professor Robério Paulino (PSOL): 2%
- Dário Barbosa (PSTU): 1%
- Henrique Lyra (PCO): 0%
- Arinalda do MLB (UP): 0%
- Carlos Jararaca (DC): 0%
- Indecisos/não sabem/não responderam: 16%
- Branco/nulo: 14%
Para 66% dos eleitores ouvidos no levantamento, a escolha do candidato é definitiva. Outros 34% dizem que ainda podem mudar o voto até as eleições, em 4 de outubro.
Cenários de 2º turno
A pesquisa traz três simulações de segundo turno:
Cenário 1
- Allyson (União): 35%
- Cadu de Lula (PT): 34%
- Indecisos/não sabem/não responderam: 11%
- Branco/nulo: 20%
Cenário 2
- Allyson (União): 35%
- Álvaro Dias (PL): 30%
- Indecisos/não sabem/não responderam: 11%
- Branco/nulo: 24%
Cenário 3
- Cadu de Lula (PT): 36%
- Álvaro Dias (PL): 31%
- Indecisos/não sabem/não responderam: 11%
- Branco/nulo: 22%
Rumos do governo estadual
- 15% dos eleitores dizem que o governador a ser eleito deve continuar o trabalho que vem sendo feito;
- 33% defendem mudar apenas o que não está bom;
- 48% consideram que é necessário mudar totalmente;
- 4% não sabem ou não responderam.
Quando questionados sobre o posicionamento político do próximo governador:
- 40% preferem que o governador eleito seja aliado de Lula;
- 17% preferem um aliado de Flávio Bolsonaro;
- 36% querem um governador independente;
- 7% não sabem ou não responderam.
Apoio de Lula
- 37% dizem que o apoio de Lula aumenta a chance de votar no candidato;
- 40% dizem que não muda nada;
- 20% dizem que diminui a chance de votar no candidato.
Apoio de Flávio Bolsonaro
- 17% dizem que o apoio de Flávio Bolsonaro aumenta a chance de votar no candidato;
- 39% dizem que não muda nada;
- 42% dizem que diminui a chance de votar no candidato.
Índice de rejeição dos candidatos
Allyson (União)
- Conhece e poderia votar (potencial de voto): 36%
- Não conhece: 39%
- Conhece, mas não votaria de jeito nenhum (rejeição): 25%
Álvaro Dias (PL)
- Conhece e poderia votar (potencial de voto): 32%
- Não conhece: 26%
- Conhece, mas não votaria de jeito nenhum (rejeição): 42%
Cadu de Lula (PT)
- Conhece e poderia votar (potencial de voto): 27%
- Não conhece: 47%
- Conhece, mas não votaria de jeito nenhum (rejeição): 26%
Aprovação do governo
- Aprovam: 43%
- Desaprovam: 51%
- Não sabem/não responderam: 6%
Avaliação do governo
- Positiva: 27%
- Regular: 30%
- Negativa: 41%
- Não sabem/não responderam: 2%
Fátima Bezerra merece eleger um sucessor?
- Sim: 38%
- Não: 55%
- Não sabem/não responderam: 7%
ANÁLISE DA PESQUISA
O primeiro aspecto importante desta pesquisa é que ela foi realizada por um instituto renomado nacionalmente e que ganhou bastante relevância no cenário político brasileiro nos últimos anos.
Há alguns cruzamentos muito interessantes nessa Quaest. Para mim, quatro conclusões se destacam.
1. A eleição está completamente aberta e, neste momento, há três candidatos efetivamente disputando as duas vagas do segundo turno.
Allyson tem 25%, Cadu, 21%, e Álvaro, 19%. São apenas seis pontos separando o primeiro do terceiro colocado, em um cenário com margem de erro de três pontos percentuais.
Além disso, 16% ainda estão indecisos e 14% declaram voto branco ou nulo. Ou seja, 30% do eleitorado não escolheu nenhum dos candidatos apresentados.
Allyson lidera, mas está muito distante de possuir uma vantagem confortável. Cadu e Álvaro estão suficientemente próximos para manter a disputa pelas duas vagas do segundo turno completamente aberta.
2. Existe um paradoxo importante: o eleitor rejeita a continuidade do governo Fátima, mas não rejeita Lula.
Nada menos que 48% querem mudar totalmente os rumos do governo, 51% desaprovam a atual gestão e 55% dizem que Fátima Bezerra não merece eleger um sucessor. Em princípio, esse cenário seria péssimo para Cadu.
Só que, ao mesmo tempo, 40% preferem um governador aliado de Lula e 37% dizem que o apoio do presidente aumenta a possibilidade de votar em determinado candidato, contra apenas 20% que afirmam que esse apoio diminui suas chances de voto.
Isso ajuda a explicar como Cadu consegue chegar a 21% e ocupar a segunda posição, apesar do desgaste do governo estadual. O grande desafio dele será representar Lula sem carregar integralmente o peso da gestão Fátima.
3. Allyson tem um ativo extraordinário, mas também um desafio: lidera mesmo sendo desconhecido por 39% do eleitorado.
Esse talvez seja um dos números mais interessantes da pesquisa. Allyson aparece com 25% das intenções de voto e 36% de potencial de voto, embora 39% dos entrevistados afirmem não conhecê-lo.
Isso significa que existe um universo enorme de eleitores aos quais ele ainda pode se apresentar. Sua rejeição, de 25%, também é significativamente menor que a de Álvaro.
Por outro lado, existe um risco: tornar-se mais conhecido não significa necessariamente crescer. A campanha terá que transformar conhecimento em voto sem provocar um crescimento proporcional da rejeição. É provavelmente aí que estará uma das principais batalhas da campanha de Allyson.
4. Álvaro tem o maior problema estrutural entre os três: rejeição elevada e um padrinho que, segundo a pesquisa, mais tira do que acrescenta votos.
Álvaro está competitivo, com 19%, mas 42% dos entrevistados dizem conhecê-lo e não votar nele de jeito nenhum. É, com folga, a maior rejeição entre os três principais candidatos. Para efeito de comparação, são 25% para Allyson e 26% para Cadu.
Além disso, apenas 17% dizem que o apoio de Flávio Bolsonaro aumenta a chance de votar em um candidato, enquanto 42% afirmam que esse apoio diminui essa possibilidade.
Isso cria uma dificuldade importante para Álvaro: ele precisa mobilizar o eleitor bolsonarista sem ampliar ainda mais sua rejeição fora desse campo.
As simulações de segundo turno reforçam o alerta. Álvaro perde tanto para Allyson, por 35% a 30%, quanto para Cadu, por 36% a 31%.
Um dado adicional merece destaque: o segundo turno entre Allyson e Cadu é o cenário mais equilibrado de todos, com 35% a 34%.
Isso mostra que a liderança de Allyson no primeiro turno não se traduz, pelo menos por enquanto, em favoritismo folgado para vencer a eleição.
A primeira Quaest no Rio Grande do Norte desenha, portanto, uma disputa bastante aberta: Allyson larga na frente, Cadu demonstra enorme competitividade e Álvaro permanece vivo na disputa, embora enfrente uma rejeição que pode se transformar em seu principal obstáculo ao longo da campanha.





