PT já tem foco no mandato tampão e monta estratégias para não entregar o governo a oposição

A governadora Fátima Bezerra e toda a cúpula petista do Estado já estão estudando, com bastante cautela, a eleição indireta que deve ocorrer em abril para a escolha de um(a) governador(a) para um mandato tampão de nove meses. Uma estratégia já está sendo montada com foco nesse processo.

O PT trata como certa a renúncia de Fátima em 2 de abril e parte do pressuposto de que o vice-governador Walter Alves não assumirá o Governo. Diante disso, o partido antecipa seus cálculos políticos visando ao controle do mandato tampão.

A intenção do PT é fechar um acordo com Walter Alves e com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, para garantir apoio ao nome que o governismo pretende lançar na disputa. Atualmente, o deputado estadual Vivaldo Costa aparece como o escolhido do governo para a eleição indireta, já que existe, entre os parlamentares, um entendimento prévio de que o eleito seja um nome da própria Casa.

O PT já faz suas contas. Avalia que, somando seus votos e contando com o apoio de Ezequiel, poderia chegar a 13 votos: Divaneide Basílio, Francisco do PT, Isolda Dantas, Doutor Bernardo, Vivaldo Costa, Eudiane Macedo, Ubaldo Fernandes, Ezequiel Ferreira, Ivanilson Oliveira, Kléber Rodrigues, Hermano Morais, Galeno Torquato e Nélter Queiroz.

O problema para o governismo é que alguns deputados que estiveram alinhados a Fátima em votações anteriores hoje demonstram disposição para migrar para partidos de oposição. É o caso de Kléber Rodrigues, Galeno Torquato e Nélter Queiroz, que negociam filiação ao PP.

O PT desenha estratégias para não perder o controle do Governo. A avaliação interna é de que, se a oposição assumir o comando do Estado durante o período eleitoral, isso pode provocar forte desgaste, sobretudo com a divulgação de fatos negativos sobre o legado da gestão atual. Nesse cenário, os candidatos petistas entrariam na campanha em posição defensiva, tendo que reagir constantemente a ataques.

Um ponto central dessa equação é que a renúncia de Fátima ocorre antes da eleição indireta. Por isso, a governadora precisa ter garantias de que um aliado permanecerá no comando da máquina estadual para efetivar seu afastamento. Sem essa segurança, a possibilidade de recuo existe, e Fátima pode optar por cumprir o mandato até o fim.

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