O palanque da esquerda no Rio Grande do Norte ainda precisa aparar algumas arestas para dar mais clareza à composição da chapa ao Senado, principalmente para estancar dois tipos de movimentos: os que surgem de dentro para fora e os que chegam de fora para dentro.
Os movimentos de dentro para fora são dois. O primeiro ganhou força após a divulgação de uma nota interna do movimento “Articulação de Esquerda”, uma das tendências do PT, defendendo mudanças na chapa ao Senado, com a destinação da segunda vaga a um candidato do PSOL.
O segundo movimento é mais isolado, mas parte de vozes petistas com alguma repercussão. Esse grupo defende que o primeiro voto ao Senado seja destinado a Samanda Alves e o segundo a Zenaide Maia, sob o argumento de que a senadora tem demonstrado maior fidelidade ao presidente Lula do que Rafael Motta ao longo de sua trajetória política.
Por fim, há o movimento que vem de fora para dentro, mas também produz reflexos internos. Trata-se da circulação de vídeos resgatando declarações antigas de Rafael Motta em posições contrárias ao PT. Recebi informações de que muitas dessas publicações estariam sendo impulsionadas por adversários políticos, justamente para estimular divisões dentro da chapa governista.
O que parece evidente nesse cenário é que essa cizânia, embora tenha como objetivo reduzir o potencial eleitoral de Rafael Motta, que aparece competitivo na disputa, acaba atingindo principalmente a candidatura de Samanda Alves.
Na medida em que parte do grupo passa a defender o voto em Zenaide Maia no lugar de Rafael Motta, há também um reconhecimento implícito de que Samanda deixa de ser prioridade, já que disputa diretamente o mesmo espaço eleitoral ocupado por Zenaide.
Da mesma forma, a proposta de substituir o PDT pelo PSOL na composição da chapa ao Senado pode, à primeira vista, parecer gerar uma identidade mais genuína a chapa com Samanda. No entanto, tende a enfraquecer o conjunto da estratégia eleitoral da aliança.
Tudo isso representa desafios que a própria Samanda está tendo que enfrentar. Ela acaba tendo que se desdobrar entre resolver as rusgas internas, deixando de ter olhar integral para trabalhar sua candidatura.
Enquanto isso, Zenaide Maia, que não participa desses movimentos, acompanha o cenário em posição confortável. Afinal, continua figurando entre os nomes mais bem posicionados nas pesquisas.
Em conversa com pessoas ligadas tanto a Samanda quanto a Rafael, apurei que a dobradinha entre os dois vem sendo construída gradualmente e que, após as convenções partidárias, deverá ganhar as ruas de maneira mais organizada e coesa.
Essas mesmas fontes afirmam que a estratégia consiste em fazer com que o eleitor de Samanda tenha Rafael como segunda opção de voto ao Senado, e que o eleitor de Rafael faça o mesmo em relação a Samanda. A ideia é que um fortaleça o outro. Para isso, porém, será fundamental transmitir uma imagem de unidade e harmonia.





