As eleições para deputado federal em 2026 serão as primeiras em que o efeito das chamadas emendas PIX ficará escancarado, evidenciando o quanto o jogo pela disputa das vagas na Câmara Federal é desigual, injusto e, em muitos aspectos, antidemocrático.
De um lado, no Rio Grande do Norte, estão os oito deputados federais que, nos últimos quatro anos, controlaram juntos mais de R$ 1 bilhão em emendas, recursos utilizados para cooptar prefeitos e consolidar apoios em favor de suas reeleições. Do outro, estão os pré-candidatos desprovidos de emendas, obrigados a disputar uma corrida na qual largam muito atrás do pelotão privilegiado pelas transferências diretas de recursos públicos.
São inúmeros os relatos de pré-candidatos que, ao buscarem diálogo com prefeitos em busca de apoio político, escutam sempre a mesma resposta: o compromisso já está firmado com o deputado “X” ou “Y”, responsável pelo envio de emendas ao município. Invariavelmente, o fator determinante para a adesão é o volume de recursos recebidos.
A senadora Zenaide Maia, há poucos dias, comemorou em suas redes sociais a marca de meio bilhão de reais destinados por ela aos municípios potiguares — montante que garantiu o apoio de cerca de setenta prefeitos e consolidou sua candidatura à reeleição ao Senado.
Uma rápida passagem pelas redes sociais dos oito deputados federais do Rio Grande do Norte revela um padrão evidente: predominam postagens sobre anúncios de recursos e entregas de obras e equipamentos nos municípios, sempre vinculadas às emendas parlamentares.
O uso dessas emendas tornou-se um fator decisivo contra a renovação da bancada federal. Para candidatos que não dispõem desse instrumento, competir em condições minimamente equilibradas beira o impossível. Trata-se de um sistema alimentado ao longo de quatro anos, desenhado justamente para bloquear o acesso de novos nomes ao Congresso. Não por acaso, o próprio Parlamento pressiona constantemente por mais emendas e por maior liberdade na sua utilização.
Enquanto a legislação eleitoral busca garantir igualdade de condições, punindo práticas como compra de votos, abuso de poder econômico e outras irregularidades, essa engrenagem paralela opera livremente, contaminando todo o processo eleitoral e distorcendo a essência da disputa democrática.





