A estratégia do PT do Rio Grande do Norte nesta virada de ano não é segurar Walter Alves, mas segurar o MDB. É importante compreender bem essa diferença. A leitura do núcleo de comando petista é que se tornou primordial evitar que o MDB, enquanto sigla, suba no palanque de Allyson Bezerra.
Nesse cálculo, o fator central é o tempo de rádio e TV. A propaganda eleitoral é considerada decisiva para definir quem avança ao segundo turno. Um exemplo recente ocorreu na eleição de Natal, em 2024, quando Paulinho Freire e Natália concentraram quase todo o tempo de rádio e TV, enquanto Carlos Eduardo ficou espremido com um espaço diminuto.
Ouvi de fontes petistas que, se o MDB migrar para a aliança de Allyson, o prefeito de Mossoró passaria a controlar mais de 50% de todo o tempo destinado à propaganda eleitoral. Nesse cenário, o palanque de Allyson reuniria quatro grandes siglas: PP, PSD, União Brasil e MDB.
Caso o PT consiga segurar o MDB, esse jogo tende a ficar mais equilibrado. É isso que ajuda a explicar o movimento feito pelo PT na recente conversa entre a governadora Fátima Bezerra e o vice-governador Walter Alves, quando ficou ajustado que a definição da aliança caberia às direções nacionais dos dois partidos. A avaliação do PT é que, em Brasília, ainda há espaço para manter o MDB dentro da coligação.
Os estrategistas petistas no Estado entendem que, neste momento, Walter Alves já não é tão essencial enquanto personagem político. Houve quebra de confiança e a nominata que o MDB articulava acabou implodindo após erros cometidos pelo vice-governador. Além disso, o PT calcula que consegue manter uma parte dos prefeitos emedebistas na base, mesmo sem a presença de Waltinho.





