O que está acontecendo com as pesquisas realizadas no Rio Grande do Norte pelo Instituto Veritá?
Hoje, pela segunda vez, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu a divulgação de uma pesquisa do instituto. Trata-se do levantamento registrado sob o número 06276/2026, protocolado em 26 de maio de 2026, com coleta realizada entre os dias 27 e 31 de maio.
O motivo da suspensão é o mesmo da pesquisa anterior. Segundo a ação apresentada pelo partido Republicanos, o Instituto Veritá não estaria respeitando os parâmetros de estratificação da população divulgados pelos órgãos oficiais. A contestação aponta que a distribuição das faixas populacionais utilizadas na amostra está desproporcional em relação à composição real da população.
Sou crítico de decisões que suspendem pesquisas eleitorais. Muitas vezes, elas se apoiam em detalhes excessivamente técnicos que não comprometem o conteúdo ou a confiabilidade dos resultados.
Neste caso, porém, a situação é diferente.
O caráter científico de uma pesquisa está diretamente ligado à rigorosa observância da estratificação da população. Sexo, renda, escolaridade e faixa etária são premissas básicas de qualquer levantamento estatístico. Se a população é composta por 48% de homens e 52% de mulheres, por exemplo, a pesquisa não pode entrevistar 60% de homens e apenas 40% de mulheres. O exemplo serve apenas para ilustrar o raciocínio.
Além disso, um erro dessa natureza demonstra, por si só, pouco zelo do instituto na condução da coleta de dados. Por essa razão, considero correta a decisão de suspender a divulgação da pesquisa.
Vale lembrar que o Veritá já teve sua primeira pesquisa barrada pelos mesmos motivos e, agravando ainda mais a situação, voltou a repetir o mesmo procedimento considerado irregular.
Penso, inclusive, que a punição poderia ser mais severa do que a simples suspensão da divulgação. Uma multa seria uma medida adequada para servir de exemplo e reforçar a necessidade de rigor técnico na realização de pesquisas eleitorais.
Por tudo isso, os números da Veritá, por enquanto não devem ser considerados como corretos.




