Segundo o saudoso Ulysses Guimarães, “se você acha o atual Congresso ruim, espere vir o próximo”. A frase, que se tornou célebre, faz todo o sentido agora que estamos assistindo à atuação do pior parlamento já empossado no Brasil.
Está sendo vergonhoso. Uma verdadeira sem-vergonhice.
Nem vou falar da completa inversão da lógica da administração pública com as milionárias emendas disponibilizadas a deputados e senadores. Emendas secretas, sem fiscalização, que alimentam centenas de investigações e suspeitas de corrupção.
O que quero destacar é a chamada PEC da Blindagem. Deputados e senadores querem alterar a Constituição para se colocarem acima da lei. Não poderão ser presos, investigados ou responsabilizados. Literalmente, será isso: decisões judiciais contra eles só terão validade se o próprio Congresso autorizar.
A harmonia entre os poderes está indo para as cucuias. Do Executivo, o Legislativo já tomou o orçamento. Do Judiciário, agora quer abocanhar o poder da decisão final. Não restará pedra sobre pedra.
Imagino que, nas próximas eleições, chefes do crime organizado disputarão mandatos de deputado ou senador. Isso bastará para garantir imunidade, cobertura política e espaço para cometer crimes sem risco.
Deputados e senadores querem a impunidade. Querem usar emendas sem controle, mentir, difamar, gastar sem limites — sem ninguém para impedir.
Segundo o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL, esses temas são “internos da Câmara e do Senado” e a população nada tem a ver com isso. É assunto entre eles. Todo o PL e todo o Centrão, além de parte da esquerda, apoiam as medidas.
A indignação popular, as críticas dos formadores de opinião e a exclusão do povo do debate não importam. Para eles, vale a pena o desgaste. O bônus será enorme.