Foco na Presidência do Senado em 2027 explica recuo de Rogério na disputa pelo Governo do RN

Por tudo o que ouvi e pela lógica da política, estou convicto, neste momento, de que o senador Rogério Marinho está 99% fora da disputa pelo Governo do Estado.

E nem vou atribuir essa desistência apenas ao papel que ele vem assumindo como coordenador-geral da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Há outros movimentos importantes nos bastidores. Rogério está embalado na construção de um projeto maior: a disputa pela presidência do Senado, em 2027.

Explico. Atualmente, o senador potiguar participa ativamente das articulações para a formação das chapas ao Senado nos 27 estados. Ele não atua apenas na definição dos candidatos do PL em cada unidade da federação, mas também negocia dobradinhas e alianças com outros partidos. Em todas essas conversas, desde já, Rogério coloca na mesa a futura eleição para a presidência do Senado.

O leitor pode se perguntar se seria possível que Rogério chegue à presidência do Senado mesmo em um cenário de reeleição de Lula. O PL e os partidos do Centrão apostam na formação de uma numerosa bancada conservadora no Senado, com maioria suficiente para eleger, de qualquer forma, um nome da oposição para comandar a Casa. Rogério aposta exatamente nesse desenho.

Nos planos de Marinho, essa articulação nacional — que envolve tanto a escolha de candidatos do PL quanto acordos com pré-candidatos de outras legendas — o coloca naturalmente como o primeiro da fila para disputar a presidência do Senado. Esse é o cálculo político que ele faz.

Manter-se como pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, nesse contexto, afastaria Rogério desse centro de articulações nacionais, o tiraria do palco principal e abriria espaço para que outro nome surgisse. Na política, não existe vácuo.

Na prática, Rogério já atua dessa forma. Foi ele o artífice da carta assinada por Jair Bolsonaro indicando Flávio como seu sucessor. É ele quem coordena a elaboração do programa de governo de Flávio, articula as chapas nos estados e terá papel decisivo na distribuição dos fundos eleitoral e partidário do PL. Em resumo, Rogério é hoje uma peça central no projeto nacional do partido.

Diante desse cenário, Álvaro Dias — que tem um acordo com Rogério prevendo que, em caso de desistência, será o seu substituto — já pode começar a se preparar. Tudo indica que será ele o nome da direita na disputa pelo Governo do Estado.

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