É falsa a afirmação de que ninguém quer assumir o governo do Estado

Situação e oposição no Rio Grande do Norte travam um duelo permanente de construção de imagem. De um lado, a oposição cumpre seu papel ao ecoar a narrativa de que o Estado está quebrado e vive um caos administrativo. Do outro, o governo, também dentro de sua lógica política, sustenta que o cenário atual é bem menos dramático do que o encontrado em 2019, quando Robinson Faria entregou o governo a Fátima Bezerra.

Cada lado apresenta seus argumentos e seus números.

Nesse embate, a oposição tem insistido na tese de que ninguém quer assumir o Governo do Estado em razão da situação financeira. Segundo essa narrativa, Walter não quer, Ezequiel não quer, Ibanez não quer. É exatamente nesse ponto que cabe um esclarecimento: essa afirmação não corresponde à realidade.

Na prática, apenas uma pessoa não deseja assumir o governo: Walter Alves. E não é, essencialmente, por causa das dificuldades financeiras do Estado — embora elas tenham contribuído para a mudança de rota —, mas porque Walter passou a projetar sua eleição para deputado estadual e a presidência da Assembleia Legislativa. Um plano legítimo, registre-se.

Também não é verdade que Ezequiel Ferreira não queira o governo. O que existe, nesse caso, é um cálculo político objetivo. Se assumisse o cargo, Ezequiel permaneceria apenas algumas semanas à frente do Executivo, tempo suficiente para se tornar inelegível inclusive para a própria reeleição como deputado estadual, em razão da convocação de uma eleição indireta. O custo político, portanto, não compensa.

Da mesma forma, não procede a afirmação de que o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Ibanez Monteiro, recusaria assumir o governo por conta da situação financeira. Ele cumpriria uma obrigação constitucional e exerceria o cargo apenas pelo período necessário. As informações disponíveis indicam que Ibanez está disposto a cumprir essa missão institucional, caso a realidade assim exija.

Portanto, é falsa a ideia de que ninguém queira assumir o Governo do Rio Grande do Norte. Muito pelo contrário. O que se desenha é uma disputa acirrada pelo mandato tampão entre os grupos políticos que estão se formando. E ainda mais intensa será a disputa de outubro pelo comando do Estado. No fim das contas, o governo é desejado por todos.

Compartilhe agora:

MAIS POSTS