PT está avançando sozinho na articulação do mandato-tampão no RN

O que Cadu Xavier afirmou em entrevista recente — de que a governadora Fátima Bezerra pode não renunciar ao cargo caso perceba que não conseguirá eleger um aliado para o mandato-tampão e de que entregar o governo à oposição seria um suicídio político — este blog já havia antecipado aos seus leitores há vários dias.

Enquanto parte da mídia embarcou na manchete de que Fátima era candidatíssima ao Senado, este blog noticiou que esse era o plano A, mas que o PT já mantinha na manga o plano B: a decisão de não renunciar, justamente para não entregar a caneta aos opositores.

Outra informação importante, também já divulgada por este blog, é a existência de um entendimento que vem sendo recepcionado pela maioria dos deputados estaduais: a eleição do mandato-tampão seria o momento mais adequado para a escolha de um nome com perfil técnico. Não importa que seja um nome vinculado ao atual governo, desde que tenha reconhecimento e estatura política para governar com certo distanciamento da disputa eleitoral.

A informação que chega é que, dentro do governo, a prioridade segue sendo a indicação de Cadu Xavier para o mandato-tampão. Ainda assim, já se busca internamente outros nomes que possam atender à expectativa de um perfil técnico e confiável para diferentes campos políticos.

A grande vantagem do governo nesse cenário é que nem o grupo de Allyson Bezerra nem o de Álvaro Dias tem dedicado a devida atenção ao tema. Allyson já declarou não acreditar que Fátima vá renunciar ao mandato e, por isso, o assunto não está em sua pauta. Álvaro, por sua vez, está concentrado em dialogar com dezenas de prefeitos que apoiavam Rogério Marinho, mas que demonstram resistência em apoiá-lo como eventual substituto do senador.

O quadro atual é este: apenas o PT está, de fato, empenhado na eleição indireta. E, em praticamente todas as conversas, ouve-se o mesmo argumento — o ideal seria um candidato com perfil mais técnico.

Em tempo: Fátima Bezerra terá, ainda nesta semana, uma reunião com Edinho Silva, presidente nacional do PT, e com o deputado José Guimarães, coordenador eleitoral do partido no Nordeste, para tratar dessa estratégia. O PT aposta alto na articulação para viabilizar um nome para o mandato-tampão e só deve jogar a toalha nos minutos finais, caso não reste mais expectativa de êxito.

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