Alguém já parou para pensar no que acontecerá com a política do Estado após a realização da eleição indireta para o mandato-tampão e a posse do escolhido ou da escolhida?
Há dois cenários possíveis de análise. O primeiro é o de o governo conseguir eleger o sucessor de Fátima. O segundo é o de a oposição assumir o controle do Executivo. A partir desses dois cenários, vou tentar, em duas postagens, explicar o que pode acontecer em cada um deles.
Neste primeiro texto, abordo o cenário em que o PT consegue fazer o sucessor. Vamos imaginar o que ocorrerá no período de abril a setembro, cerca de seis meses que compreendem a pré-campanha e a campanha propriamente dita.
Se o PT mantiver a cadeira e o controle da caneta, teremos então duas realidades possíveis. A primeira é a de o governo conseguir manter o Estado minimamente equilibrado, pagando salários em dia e demonstrando que não existe o caos financeiro propagado pela oposição.
Se tudo estiver em ordem, o PT terá margem para vender o legado de Fátima, destacar entregas, além de desmobilizar os chamados profetas do caos. Nesse cenário, a governadora teria caminho livre para disputar o Senado, sustentada pelo histórico administrativo e pela força do discurso de que estaria assumindo uma missão política para ajudar Lula.
Mantido o governo e afastada a hipótese de colapso financeiro, o partido ganha tranquilidade para estruturar a campanha nas diversas regiões do Estado, associar seus candidatos a Lula — especialmente Cadu Xavier e Fátima — e ainda surfar na polarização do “nós contra eles”.
Por outro lado, se se concretizar uma realidade de desordem financeira, com atrasos no pagamento dos servidores, calote em fornecedores e queda na qualidade dos serviços públicos, a oposição assume o protagonismo do discurso do “fora PT”. O partido será acusado de incompetência, as críticas ganharão peso e a expectativa de um fim melancólico passará a contaminar a campanha petista.
Eu diria que o pós-abril, para o governo, hoje está na ordem de 50% a 50%. Pode se transformar em um grande trunfo eleitoral ou representar uma derrocada.
Para a oposição, porém, minha previsão é que, tanto no cenário de caos financeiro quanto no de normalidade administrativa, o resultado tende a ser duplamente negativo. Mas isso explico na próxima postagem.



