Dando sequência à análise do pós-abril, sobre as projeções eleitorais após a conclusão da eleição indireta e a posse do escolhido para o mandato-tampão, analiso agora o que pode acontecer com a eleição de outubro caso a oposição vença essa disputa e tome a caneta das mãos do PT.
Tenho ouvido muitos comentários de que, se a oposição assumir o governo agora, o PT estaria acabado. As chamadas caixas-pretas seriam abertas, e os governistas passariam toda a campanha tendo de se explicar diante de uma avalanche de acusações.
O próprio Cadu Xavier, pré-candidato ao Governo, já afirmou que permitir que a oposição sente na cadeira seria um suicídio político do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte.
Eu penso de forma um pouco diferente. Acredito que, se a oposição vencer o mandato-tampão, de um jeito ou de outro tende a sair perdendo. Terá mais dificuldades do que imagina, e os dois cenários possíveis podem se reverter em desfechos negativos.
Explico de forma direta. Se a oposição assume o governo e, até a eleição de outubro, não se materializa o caos financeiro tão propagado, a narrativa que prevalecerá é a de que a previsão apocalíptica não passava de um blefe. Por outro lado, se o Estado “quebra”, a oposição receberá boa parte do carimbo de culpa, afinal, o governante da vez terá tido seis meses de gestão sem resultados concretos para apresentar. Resumo: se ganha e o estado não quebra, vendeu um blefe. Se ganha e o estado quebra, tem parte da culpa.
Não há dúvida de que o PT explorará politicamente qualquer um dos resultados. Se não houver caos, dirá que a oposição blefou, mentiu para o povo; se houver, acusará incompetência do grupo que assumiu o governo para evitar o colapso. Em ambos os casos, isso repercute diretamente no eleitorado. E, se vierem medidas duras, atrasos ou calotes, o governante de ocasião não ficará imune ao desgaste.
Há ainda um outro detalhe importante nessa sequência de cascas de banana que a oposição pode acabar pisando. Se um governo oposicionista assume em abril e permanece até dezembro, inviabiliza qualquer discurso de retrovisor que o futuro governador, a partir de 2027, tente construir com a tese de terra arrasada. Afinal, receberá o governo de um provável aliado.
Concluindo o raciocínio: vencer o mandato-tampão pode não ser o trampolim que a oposição imagina para enterrar o PT e catapultar aliados. Pelo contrário, pode se transformar na casca de banana responsável por muitos escorregões.




