Bancada federal fatiou R$ 737 milhões de emendas coletivas em mais de 700 repasses miúdos

Já escrevi aqui no blog sobre a artimanha utilizada pela bancada federal do Rio Grande do Norte para transformar as emendas coletivas ao Orçamento da União em formatos individualizados de aplicação dos recursos. Houve um acordão para que cada parlamentar pudesse utilizar uma fatia maior da verba e rateá-la entre as prefeituras, em busca de apoios políticos.

O jornal Agora RN publicou um artigo de opinião em sua edição desta terça-feira (24), apresentando números que mostram como a bancada praticamente eliminou as emendas coletivas do mapa.

Ao todo, foram R$ 737 milhões em emendas coletivas destinadas ao Rio Grande do Norte nos últimos cinco anos — metade desse valor apenas nos dois últimos anos. Dinheiro mais do que suficiente para planejar grandes obras estruturantes, estratégicas para promover o desenvolvimento do Estado.

E sabe o que a bancada federal fez com esse montante? Uma parte significativa foi diluída em mais de 700 repasses de pequeno valor destinados às prefeituras. Apenas 18 emendas superaram R$ 4 milhões. Já 69% das emendas coletivas não passaram de R$ 500 mil.

Faço uma crítica dura aos deputados e senadores do Rio Grande do Norte, sem exceção, pelo enorme prejuízo causado ao Estado em troca das benesses eleitoreiras obtidas por meio da barganha de emendas fragmentadas enviadas às cidades — na maioria das vezes, em troca de apoio eleitoral.

Falta à nossa bancada um pensamento grande e estratégico. Falta o desejo de viabilizar obras estruturantes, promover grandes investimentos, deixar um legado e potencializar nossa economia. É lamentável que nossos representantes pensem tão pequeno.

Sem dúvida, a estratégia é eficiente para eles e para seus objetivos eleitorais. Com volumosas emendas, conseguem se reeleger com facilidade. Torna-se praticamente impossível que um candidato sem mandato concorra em igualdade de condições diante dessas negociações políticas que envolvem a distribuição das emendas. Assim, asseguram mandatos sucessivos — ainda que isso custe o futuro do Estado.

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