Estou acompanhando com curiosidade a construção do nome do PT que, ao final do processo, deverá ser o escolhido de Fátima Bezerra para disputar o mandato tampão.
O mais interessante é observar como a mídia natalense tenta, diariamente, apontar um “ungido”. Partindo da ideia de que o perfil ideal seria alguém sem identidade partidária muito forte, mas palatável a diferentes setores, a imprensa tem colocado nomes na vitrine.
O secretário de Agricultura do Estado, Guilherme Saldanha, é o ungido da vez. Há algum tempo, o nome ventilado e defendido na mídia era o de Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias.
Fiquei curioso em relação a Saldanha e busquei compreender melhor seu perfil. Assisti às entrevistas concedidas por ele nos últimos dias. Sinceramente, não fala como alguém que esteja prestes a ser escolhido ou que esteja por dentro de alguma definição. Suas falas soam como as de um espectador que torce para ser o escolhido, mas que ainda está fora das articulações centrais.
Não afirmo que Guilherme Saldanha não possa ser o nome de Fátima — é possível que seja. Contudo, neste momento, não há sinais de que tenha sido formalmente tratado pelo Governo com essa finalidade. E duvido que, a essa altura, Fátima Bezerra ainda não tenha discutido o assunto com seu núcleo mais próximo.
O que resta, por ora, é a torcida da mídia por Saldanha — e é visível que ele mantém bom entrosamento com esse grupo, o que tem seu mérito. Mas, além dessa torcida, faltam indicadores concretos.
Na minha avaliação, Fátima e seu núcleo mais próximo já compreenderam que, para alcançar os 13 votos necessários entre os deputados, será preciso um nome capaz de superar barreiras.
A principal delas é conquistar votos na oposição sem impor um nome de forte viés eleitoral. Deputados oposicionistas teriam dificuldade de justificar, em seus palanques, apoio a alguém claramente identificado como adversário direto.
Por outro lado, o PT também não deseja ceder além do limite e descaracterizar sua condição de governo. Fátima sabe que os votos exigirão grande esforço político e, por isso, espera ao menos que o escolhido tenha compromisso com ela e com seu projeto.
Voltando aos nomes, tenho a impressão de que o escolhido ainda não está totalmente definido. Nas projeções de hoje, eu apostaria algumas fichas no deputado Francisco do PT, por ser parlamentar, manter boa convivência com os colegas e apresentar perfil conciliador e de bom trato. Ele poderia atender tanto às expectativas dos deputados não petistas quanto aos interesses da governadora.
Esclareço que não estou lançando nome nem tentando fabricar um novo “ungido”. Trata-se apenas de uma análise e de um palpite pessoal.





