A senadora Zenaide Maia sabe melhor do que ninguém que, na eleição de outubro, ela e a governadora Fátima Bezerra podem disputar a vaga restante ao Senado. Uma se elege; a outra fica de fora. Essa é uma projeção sustentada por inúmeras pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses.
Segundo esses levantamentos, Styvenson Valentim aparece como franco favorito para conquistar a outra vaga. Não por acaso, em anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro, na planilha do Rio Grande do Norte, o nome de Styvenson surge com a palavra “eleito” escrita à mão ao lado, provavelmente pelo próprio Flávio.
Inicio citando Zenaide porque é de seu maior interesse que as circunstâncias políticas impeçam Fátima Bezerra de se tornar candidata. Em termos mais diretos: Zenaide é a maior interessada em que Fátima não reúna condições de eleger um sucessor para o mandato-tampão, o que a impediria de renunciar e disputar o Senado em outubro.
Mas por que trazer esse tema agora? Que informação nova há para acrescentar ao debate?
A novidade é que Zenaide não está nada satisfeita com o assédio político que a governadora tem feito junto à bancada estadual que vem se aproximando de Allyson Bezerra. Mais do que isso, incomodam os sinais de que deputados do seu próprio palanque têm dialogado com Fátima.
Para Allyson, José Agripino, João Maia, Benes Leocádio ou Robinson Faria, a eventual adesão de deputados da chamada terceira via ao governismo numa evventual eleição indireta, não altera substancialmente seus projetos. Para Zenaide, no entanto, trata-se de uma questão de vida ou de morte.
Permitir que Fátima viabilize, com apoio do time da terceira via, a eleição de um governador-tampão é uma hipótese que tem irritado profundamente a senadora — e também seu esposo, Jaime Calado. Ambos estariam dispostos a cobrar dos líderes da aliança uma posição mais firme e objetiva.
Já os deputados que se alinham a Allyson avaliam que cada um deve cuidar do próprio projeto. Priorizam nas negociações benefícios concretos para suas reeleições e não demonstram preocupação com a conveniência eleitoral de Zenaide.
O clima tende a se deteriorar à medida que chegam à senadora informações sobre as conversas entre Fátima e parlamentares. A expectativa é que a cúpula partidária seja pressionada a classificar esses entendimentos como politicamente inaceitáveis.
Enquanto isso, o PT segue contabilizando apoios no palanque de centro para a eleição indireta — mesmo com a evidente irritação de Zenaide.





